Filhos de celebridades, conhecidos como 'nepo babies', estão redefinindo suas identidades estéticas, com exemplos como North West, que adota um estilo provocativo e alinhado às subculturas digitais, em contraste com a imagem mais contida de Blue Ivy Carter, que reflete uma disciplina visual herdada da mãe, Beyoncé.
Enquanto North busca impacto imediato com referências punk, Blue Ivy opta por uma presença mais silenciosa e controlada, evidenciando como cada uma expressa sua individualidade através do estilo, mesmo sob a pressão de legados familiares.
Lily-Rose Depp e Sasha Meneghel também exemplificam essa busca por autenticidade, com Lily-Rose misturando elegância e romantismo gótico, e Sasha adotando uma estética de contenção e precisão, mostrando que o sobrenome pode abrir portas, mas a verdadeira imagem memorável é construída por escolhas pessoais.
Filhos de celebridades crescem sob uma lente de comparação permanente. Deles pode ser esperada a repetição da carreira, da imagem e do repertório estético que consagrou seus sobrenomes. Entre as nepo babies mais observadas de hoje, porém, o estilo funciona menos como continuidade e mais como edição: uma forma de filtrar o legado recebido e convertê-lo em presença autoral.
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North West, de 13 anos, filha de Kim Kardashian e Kanye West, talvez seja o exemplo mais nítido de deslocamento. Enquanto Kim consolidou uma estética fundada na neutralidade, na sensualidade controlada e no acabamento impecável, North prefere cabelos coloridos, referências punk, acessórios de impacto, unhas gráficas e uma atitude alinhada às subculturas digitais. Para Carlos Moura, maquiador e diretor criativo, a força está justamente na recusa de parecer uma versão juvenil da mãe: “Ela cresceu dentro de um dos maiores impérios de imagem do mundo, mas escolheu outros códigos. O estilo dela comunica provocação, personalidade e uma vontade muito clara de ser reconhecida por uma linguagem própria.”
Blue Ivy Carter, de 14 anos, filha de Beyoncé e Jay-Z, segue pela via oposta. Sua imagem é mais contida, desenhada entre grandes palcos, eventos e aparições em família, com tranças longas, cachos volumosos, maquiagem discreta e uma postura segura. Para Carlos, “Blue não precisa de excesso para ocupar o centro. O cabelo, a presença e a forma como ela sustenta cada aparição já comunicam força. Existe uma disciplina visual que lembra Beyoncé, mas em uma versão mais silenciosa.”
A distância entre as duas está menos no nível de exposição e mais na maneira de encená-la. North aposta no impacto imediato; Blue trabalha permanência e controle. Como resume o maquiador, “uma provoca pela imagem, a outra domina pela contenção. Nos dois casos, o estilo funciona como uma maneira de dizer quem elas são antes mesmo de qualquer fala.”
Lily-Rose Depp, de 27 anos, filha de Vanessa Paradis e Johnny Depp, converteu referências familiares extremamente reconhecíveis em uma assinatura de beleza particular. Sua imagem reúne pele luminosa, olhos esfumados, lábios menos definidos e um encontro entre a elegância francesa e um romantismo gótico. Na leitura de Carlos, “ela preserva o frescor e o magnetismo da mãe, mas acrescenta uma beleza mais imperfeita, misteriosa e contemporânea. A aparente falta de esforço é, na verdade, muito bem construída.”
Sasha Meneghel, também de 27 anos, encontrou sua marca por outra via. Filha de Xuxa, uma das imagens mais expansivas e coloridas da televisão brasileira, Sasha passou a construir uma presença pautada por alfaiataria limpa, maquiagem discreta, cabelo polido, tons sóbrios e uma postura mais silenciosa. Sua atuação na moda reforça essa direção. Para Carlos Moura, “Sasha não tenta competir com o impacto visual da mãe. Ela trabalha precisão, contenção e coerência. O estilo aparece justamente na forma como reduz o excesso e transforma discrição em assinatura.”
O sobrenome pode garantir o primeiro olhar, mas raramente sustenta sozinho uma imagem memorável. O que distingue essas nepo babies é a maneira como cada uma administra o repertório que recebeu, às vezes por contraste, às vezes por refinamento, às vezes por silêncio. Como conclui Carlos Moura, “quando o público deixa de enxergar apenas a filha de alguém e começa a reconhecer cabelo, maquiagem, postura e atitude como parte de uma assinatura, o estilo já cumpriu seu papel”. A partir daí, o sobrenome deixa de ser moldura e passa a ser apenas contexto.
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