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Jornalista Roseann Kennedy:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à convenção partidária neste domingo, 2, em um cenário ambivalente: a maioria da população avalia que ele não merece um novo mandato; entretanto, o petista ainda desponta como favorito na disputa.
Tal como o seu time de futebol, o Corinthians, Lula carrega a fama de reagir às adversidades e recuperar o fôlego mesmo quando começa abatido. E foi isso que ele fez nos últimos meses.
O atual mandatário aproveitou os erros da oposição para driblar os percalços do próprio governo. Enquanto Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário, colecionava crises este ano — que foram da falta de explicação sobre o dinheiro pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro à associação direta a Donald Trump no momento em que os Estados Unidos aplicaram mais dois tarifaços ao Brasil, passando por uma briga com a madrasta Michelle —, Lula seguiu os conselhos de seu marqueteiro e recuperou pontos nas pesquisas de intenção de voto.
De um lado, Lula elevou o tom para colar em Flávio Bolsonaro a pecha de traidor da pátria. De outro, abriu os cofres para avançar em medidas populistas.
Não é à toa que o custo da dívida pública alcançou, em junho, seu maior patamar médio em quase dez anos, chegando a 12,68% ao ano.
No campo econômico, a percepção de irresponsabilidade fiscal se refletiu ao longo do terceiro mandato na manutenção de juros elevados e de uma inflação constante, sentida diretamente no bolso do eleitor.
A promessa-símbolo de 2022, a picanha na mesa do brasileiro, ficou mais distante com as altas sucessivas nos preços das carnes e recordes este ano.
Pressionado por promessas não cumpridas do pleito anterior, o governo passou a reacender propostas antigas, como a criação do Ministério da Segurança Pública.
Sem uma marca forte e de grande impacto na atual gestão, o Palácio do Planalto precisou recuar de decisões impopulares — a exemplo da taxação de compras internacionais, popularmente conhecida como 'taxa das blusinhas' — e lançou novas edições de programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, criticado por analistas por apenas adiar o endividamento das famílias.
Além disso, Lula abraçou de forma repentina a PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6x1, pauta que tramitava há anos no Congresso Nacional sem qualquer mobilização da base aliada.
Em meio a tudo isso, a corrupção foi um tema que voltou a rondar o Planalto. As teias do caso Master alcançaram Jaques Wagner, ex-líder do governo e amigo pessoal de Lula. Já a investigação do INSS chegou ao filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Desta forma, o petista entra na corrida com favoritismo, mas longe do cenário de 'já ganhou'. Ele está revigorado, mas recorre a atitudes e discursos velhos. E a única certeza nos bastidores de Brasília é a de que, independentemente do resultado nas urnas, este pleito marca a etapa final da era do lulismo no País.”
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