Política

Oposição já articula impeachment de Dilma no Senado

16/04/16 - 11h10 - Atualizado em 16/04/16 - 11h12

Na véspera da sua principal votação dos últimos 24 anos, marcada para domingo (17), a Câmara dos Deputados já se prepara para a ressaca da segunda-feira (18). Enquanto oposicionistas garantem ter os 342 votos necessários para o impeachment da presidente Dilma Rousseff e articulam a “unidade”, o governo fala em “última trincheira” no Senado.

O primeiro secretário da Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), assegura que “essa coisa acaba domingo”. No entanto, caso o impeachment não passe na Câmara agora, Mansur lembra que há outros nove pedidos de impedimento da petista nas mãos do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

—Tem uma série de pedidos de impeachment para serem analisados. Aí é uma decisão do presidente, logicamente, de receber esses impeachments. Agora, acho que essa coisa acaba no domingo. Então, eu diria que teremos segunda-feira, acreditamos que sai o impeachment, com a possibilidade de a presidente Dilma se afastar do cargo.

Também oposicionista ao governo Dilma, o senador Álvaro Dias (PV-PR) já trabalha com a possibilidade real porque, segundo o parlamentar, “é um fato consumado e acho que não haverá reversão o caminho para o impeachment”. Por isso, Dias explica os próximos passos no Senado.

— Agora no Senado eu creio que [o próximo passo] é a unidade. Em relação à votação do impeachment, vamos agir com a maior eficiência possível. Vamos tentar motivar a Casa a decidir rapidamente, porque a população já esperou demais nessa indecisão. Esse impasse é muito ruim para o País, então nós temos a responsabilidade de encerrar esse capítulo do calvário o quanto antes. Essa é a responsabilidade do Senado.

Sem jogar a toalha

Integrante da Comissão de Ética da Câmara, o deputado Zé Geraldo (PT-PA) classifica o pedido de impeachment ilegítimo e resultado de “vingança” de Cunha contra votação que determinou a admissibilidade de processo contra ele por quebra de decoro parlamentar na Casa – Cunha teria mentido sobre ter contas na Suíça na CPI da Petrobras.

O petista mantém as esperanças de reverter o quadro contrário a Dilma ainda na Câmara, mas afirma que a segunda-feira após a votação do impeachment já vai exigir esforço do governo no Senado, considerado “a última trincheira”.

— Primeiro, vamos intensificar o debate com o povo brasileiro. Estamos sentindo que, nos últimos 15 dias, uma grande parcela do povo brasileiro começa a refletir que o impeachment não é o caminho para o Brasil e a tendência é a crise econômica se acentuar ainda mais se a presidenta Dilma for impeachmada na Câmara e não conseguir no Senado. Portanto, nós ainda temos uma trincheira, que é o Senado. Nós consideramos é um fórum mais qualificado, em vez de 513, [há] 81.

Geraldo explica que o governo tem a “chance ainda de ter o número de senadores para assegurar [a vitória]”, mas lembra que “não é uma coisa assim tão rápida, vamos ter uns 40 dias”.

— Nesses 40 dias, nós temos como ter uma mobilização social que possa influenciar também no Senado. Nós vamos ter um momento de reflexão de muitos senadores, que podem estar até embalados pela ideia do impeachment, mas podem ter um tempo para refletir e ajudar a segurar esta atitude de vingança do deputado Eduardo Cunha aqui na Câmara dos Deputados.

O deputado petista diz que está trabalhando para conseguir os votos necessários para barrar o impeachment no domingo na Casa, mas disse que, caso o Congresso vote pela saída de Dilma, o governo vai apelar ao STF (Supremo Tribunal Federal).

— Estamos trabalhando acreditando que vamos conseguir de forma legislativa esses votos necessários. Naturalmente, isso acontecendo no domingo aqui, nós podemos começar ter mobilizações se preparando para o segundo passo, que é no Senado. Porque a presidente, se perder no Senado, ela ainda vai para o Supremo Tribunal Federal, que é a terceira etapa. Mas eu ainda trabalho para ganhar isso aqui na Câmara dos Deputados.

A Câmara dos Deputados vai votar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff neste domingo (17), a partir das 14h. Antes disso, porém, neste sábado (16), 249 deputados – 170 favoráveis ao impeachment e 79 contrários ao processo – vão ocupar a tribuna da Câmara, por três minutos cada um, para discursar. Portanto, serão quase 13 horas de discursos.