Alagoas

Ossadas abrigadas no IML são de vítimas de crimes cometidos há décadas

05/07/16 - 13h04 - Atualizado em 05/07/16 - 13h31
TNH1/Erik Maia

Ossadas humanas aos pedaços, pelo chão do Instituto Médico Legal de Maceió, identificadas, precariamente, por números.  Eles indicam o local onde foram achadas ou o inquérito policial do crime que deu origem àqueles restos mortais. Mas a pergunta que muitas famílias de desaparecidos fazem é: quem foram aquelas pessoas?

Entre as ossadas, que estavam no prédio antigo do IML, há material de vítimas de crimes cometidas não há dois ou três anos, mas há décadas.

Segundo o diretor do Instituto, Fernando Marcelo, que conversou com o TNH1 depois de uma denúncia que apontou a presença das ossadas no prédio desativado do órgão, no bairro do Prado, não há nem mesmo como precisar quantos corpos havia ali.

O material foi transferido para a nova sede do Instituto, vizinha à antiga, após a denúncia, mas ainda precisa de uma análise antropológica que indique o sexo, a altura e outras características da vítima.

A partir dessas informações, se a família de alguma pessoa desaparecida solicitar a identificação de um corpo, a Perícia deve realizar um exame de DNA que vai confirmar a identidade.

Todo esse procedimento foi detalhado à reportagem pelo diretor do IML, mas da teoria à prática ainda há um longo caminho a percorrer.

Local adequado para guardar as ossadas e meios para a realização de exames de identificação de restos mortais, nesse caso por meio de DNA, são algumas das carências do Estado.

“O IML custodiava esses ossos porque não tinha um ossuário para onde enviar, cadastrar, identificar. Para quando a família procurar, o órgão já ter cadastrado e ter como informar: está em tal lugar”, explica o diretor.

Corpos de indigentes

Para o enterro de corpos conservados, mas também sem identificação, o IML tem outro problema que é a falta de vagas nos cemitérios públicos de Maceió.

Atualmente, com a superlotação do Divina Pastora, indicado para o sepultamento de indigentes, os sepultamentos são distribuídos entre outros cemitérios públicos para permitir a vazão de dez corpos por mês do IML.

Veja o vídeo:

Já os espaços para ossos de indigentes não existem em Maceió. “Eu não sei nem se o ossuário do Cemitério São José se destinaria a isso, porque esses restos mortais são originários de crimes, são provas periciais. É preciso muita cautela com esse material”, ressaltou.

A melhoria prevista para o Instituto é a entrega do novo prédio, que é construído na parte alta de Maceió, e vai proporcionar melhor condição para o trabalho de necropsias e, também, exames em pessoas vivas.

“O espaço de necropsia era um puxadinho para os corpos em decomposição, porque não havia condição de fazer esse trabalho em uma sala fechada, sem exaustor. Por isso, houve interdição”, lembra.

Assista a entrevista do diretor do IML:

Ossadas abrigadas no IML são de vítimas de crimes cometidos há décadas
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