Pai e filha falsificam mais de 200 obras de arte e as vendem por US$ 2 milhões

Publicado em 30/04/2026, às 23h46
Departamento de Justiça dos EUA
Departamento de Justiça dos EUA

Por Galileu

Erwin e Karolina Bankowski se declararam culpados por vender mais de 200 obras de arte falsificadas, atribuídas a artistas renomados, o que pode resultar em até 20 anos de prisão. O esquema fraudulento minou a confiança no mercado de arte e afetou especialmente compradores inexperientes.

As falsificações incluíam não apenas as pinturas, mas também documentos de procedência forjados, dificultando a verificação por parte das casas de leilão e galerias. O lucro obtido com as vendas de obras como as de Andy Warhol e Banksy foi significativo, com algumas peças vendidas por valores muito inferiores aos autênticos.

Além das penas por falsificação, os Bankowskis enfrentam acusações adicionais por deturpação de produtos de artistas nativos estadunidenses, resultando em penalidades especiais. O caso destaca a vulnerabilidade do mercado de arte e a necessidade de maior vigilância contra fraudes.

Resumo gerado por IA

Erwin Bankowski, de 50 anos, e sua filha, Karolina Bankowski, de 26, venderam mais de 200 obras de arte falsificadas para casas de leilão e galerias nos Estados Unidos. Nesta semana, pai e filha se declararam culpados em um tribunal federal pela operação do esquema. As obras de arte foram atribuídas a artistas de renome do mundo da arte, como Andy Warhol, Banksy e Pablo Picasso, o que pode lhes render até 20 anos de prisão. Além disso, eles também falsificaram pinturas de artistas nativos estadunidenses, o que poderá lhes custar penalidades especiais.

O que a arte cria, o crime copia

Você, leitor, deve estar se perguntando: como as casas de leilão e as galerias foram enganadas? Como os compradores não notaram que as obras eram falsas? Na verdade, os Bankowskis não forjaram apenas as pinturas, mas também os documentos que comprovaram a sua procedência.

Muitas pinturas constavam como pertencentes a coleções particulares, expostas em galerias fechadas ou propriedades de empresas extintas. Em alguns casos, a dupla consultou livros antigos para falsificar certificados de autenticidade em papel envelhecido e, assim, dificultar as tentativas dos negociantes de verificar o passado dos quadros de arte.

Em comunicado, James C. Barnacle Jr., do Federal Bureau of Investigation (FBI), afirmou que pai e filha “não apenas venderam arte falsificada: eles minaram a confiança, exploraram os compradores e tentaram lucrar com a fraude”. A enganação foi ainda mais proveitosa quando atingiu pessoas sem experiência e sem vínculos com o mundo da arte.

A falsificação de obras de arte é um negócio lucrativo. Uma das obras vendidas pela dupla, erroneamente assinada por Andy Warhol, retratava um casal nu envolto em luz neon e amarela. A peça é uma cópia de uma das serigrafias pop art do artista verdadeiro, da série Love (1983) e foi vendida por US$ 5.500 – cerca de R$ 28 mil.

Outra obra falsificada é uma cópia das que foram originalmente distribuídas por Banksy durante uma manifestação contra a Guerra do Iraque, ocorrida em Londres, em 2003. Os Bankowskis arremataram o quadro por US$ 2.000 – o equivalente a quase R$ 10 mil –, valor esse que é cerca de quinze vezes menor do que os valores de uma obra autêntica do artista.
E os ganhos não pararam por aí: uma pintura de 1963, do artista letão-americano Raimonds Staprans, chamada Triple Boats, foi vendida por quase R$ 300 mil , isto é, US$ 60 mil.

Mas, “este esquema de obras de arte não apenas engana os compradores, ele [também] rouba de artistas nativos estadunidenses e mina a integridade de todo um mercado cultural”, disse Doug Ault, em entrevista à revista Smithsonian. Afinal, uma das falsificações mais lucrativas da dupla lhes rendeu US$ 160 mil – quase R$ 800 mil – por uma obra originalmente pertencente ao artista negro e nativo americano Richard Mayhew.

Esse caso específico lhes rendeu uma penalidade adicional e também resultou em uma acusação federal por deturpação de produtos trazidos por nativos dos Estados Unidos, incluindo outras obras indígenas, como as assinadas pelo pintor Luiseño Fritz Scholder.

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