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Papa aceita renúncia de bispo acusado de acobertar pedófilos

Desde o ano passado, Pagotto perdeu poder de ordenar padres durante a investigação

06/07/16 - 16h09 - Atualizado em 13/07/16 - 12h28
Reuters

O papa Francisco aceitou a renúncia do bispo brasileiro Aldo di Cillo Pagotto, de 66 anos, acusado de fazer vista grossa a supostos padres pedófilos de sua diocese, informou o Vaticano nesta quarta-feira (6). No documento em que acolhe a abdicação, o papa cita uma determinação da lei eclesiástica da Igreja Católica segundo a qual os bispos têm obrigação de se demitir se estiverem doentes ou se houver uma "causa grave".

Em circunstâncias normais, o paraibano teria continuado na função até completar 75 anos.

No ano passado, a igreja tirou de Pagotto o poder de ordenar padres, enquanto as acusações contra ele eram investigadas. Ele é suspeito de permitir que homens se inscrevessem nos seminários de sua diocese para se tornarem padres, mesmo tendo sido rejeitados em outros locais do País por serem suspeitos de pedofilia.

Em uma carta publicada no site da diocese, Pagotto disse: "Acolhi padres e seminaristas com a intenção de lhes oferecer novas oportunidades na vida. Mais tarde alguns se tornaram suspeitos de terem cometido faltas graves... cometi erros por confiar demais, com misericórdia ingênua."

No mês passado, o papa emitiu um novo decreto dizendo que bispos que forem descobertos sendo negligentes ao lidar com casos de abuso sexual podem ser investigados e afastados do ofício se não pedirem para renunciar.

O decreto exige que o Vaticano inicie uma investigação se forem encontrados "indícios sérios" de negligência. O bispo tem chance de se defender. Em última instância, o Vaticano pode emitir um decreto para afastá-lo ou pedir que renuncie dentro de 15 dias.

O porta-voz do Vaticano disse que o caso de Pagatto foi tratado segundo os procedimentos pré-existentes.