Passou dos 40 anos? Veja como adaptar o treino conforme as novas necessidades do corpo e da vida

Condições de saúde, preparo físico, recuperação e rotina devem orientar a retomada dos exercícios

Publicado em 28/09/2026, às 15h45
Começar ou retomar os exercícios depois dos 40 anos exige atenção às condições do corpo (Imagem: Anna Nahabed | Shutterstock)
Começar ou retomar os exercícios depois dos 40 anos exige atenção às condições do corpo (Imagem: Anna Nahabed | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Decidir começar a treinar depois dos 40 anos pode vir acompanhado de uma sensação conhecida: “eu já fiz isso antes”. Quem corria, jogava futebol, fazia musculação ou praticava outro esporte na juventude pode imaginar que basta voltar à antiga rotina. Mas lembrar como era treinar não significa que o corpo esteja preparado para receber a mesma carga. 

O ponto de partida pode ser diferente daquele de duas décadas atrás. Tempo sem atividade física, lesões antigas, dores recorrentes, mudanças na rotina e condições de saúde são alguns fatores que devem ser considerados na retomada. Por isso, especialistas em cardiologia e medicina do esporte destacam 4 cuidados para quem decidiu colocar o corpo em movimento depois dos 40 anos. Confira! 

1. Verifique como está sua saúde antes de começar ou retomar os treinos

Com o passar dos anos, a pessoa pode ter acumulado informações importantes sobre a própria saúde, como alterações de pressão arterial ou colesterol, uso de medicamentos, histórico familiar ou dores recorrentes. Conhecer esse contexto ajuda a definir uma atividade e uma intensidade compatíveis com a condição atual. A necessidade de avaliação médica deve ser considerada de acordo com o histórico e as características de cada pessoa.

“Antes de iniciar ou retomar uma atividade física, é importante considerar como está a saúde naquele momento. Ao longo dos anos, a pessoa pode ter adquirido alguma condição que não existia quando era mais jovem ou pode estar usando medicamentos que precisam ser levados em conta”, explica a cardiologista Rafaela Rodrigues, professora de Medicina da Afya Garanhuns. 

2. Não treine aos 40 anos como treinava aos 20

Quem já praticou exercícios pode cair na armadilha de utilizar o próprio desempenho do passado como referência. A experiência anterior é útil, mas não significa que o organismo esteja preparado para repetir imediatamente a mesma distância, carga ou intensidade. Se houve um período parado, é preciso reconstruir gradualmente força e condicionamento.

“A principal referência para definir a carga de um treino não deve ser aquilo que a pessoa conseguia fazer antes, mas aquilo que o organismo consegue suportar hoje. Mesmo quem já teve experiência com determinada modalidade precisa considerar o tempo que ficou parado, possíveis lesões anteriores e o nível atual de força e condicionamento”, explica o médico pós-graduado em medicina do esporte, Diego Reis, da Afya Jaboatão. 

Mulher com cabelo loiro e grisalho, usando casaco de academia em tons de cinza e camiseta verde correndo ao ar livre
A resposta do corpo nos dias seguintes ajuda a diferenciar a adaptação aos exercícios de dores persistentes (Imagem: Today is Tuesday | Shutterstock)

3. Preste atenção à recuperação e às dores

Na retomada, músculos e articulações voltam a receber estímulos aos quais podem não estar acostumados. Por isso, é importante observar a resposta do corpo nos dias seguintes e diferenciar o desconforto muscular esperado de uma dor persistente ou que interfere nos movimentos. O cuidado merece atenção especial quando existe histórico de lesões. 

4. Escolha um exercício que faça sentido para sua vida atual 

Depois dos 40 anos, trabalho, família e outros compromissos podem deixar menos espaço para mudanças radicais na rotina. Por isso, mais do que escolher uma modalidade pela intensidade, é importante encontrar uma atividade que seja possível manter. Caminhada, corrida, musculação, natação, bicicleta ou esportes coletivos podem ser opções, desde que sejam compatíveis com as condições e os objetivos de cada pessoa.

“A pessoa precisa escolher uma atividade física que consiga encaixar de forma simples na rotina para facilitar a continuidade dela. Não adianta começar com uma programação muito intensa ou escolher uma modalidade que exige muitas horas semanais de treino e abandonar poucas semanas depois”, afirma Rafaela Rodrigues. 

Começar a treinar depois dos 40 anos não precisa ser uma tentativa de recuperar o desempenho de outra época. O mais importante é reconhecer as condições atuais, respeitar a adaptação do corpo e construir uma rotina de exercícios que possa ser mantida ao longo dos anos.

Por Mário Tavares

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