A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra um grupo suspeito de aplicar golpes de venda falsa no Mercado Livre, resultando em um prejuízo estimado de R$ 263 mil. A ação culminou na prisão de cinco dos oito mandados expedidos, com líderes do esquema foragidos na Espanha e nos Estados Unidos.
A investigação começou após uma denúncia do Mercado Livre, que identificou atividades fraudulentas na plataforma. O grupo simulava vendas de produtos inexistentes, recebendo pagamentos e, em seguida, contestando as transações para obter estornos.
Além das prisões, a Justiça autorizou 15 mandados de busca e apreensão em várias localidades. O inquérito investiga crimes de estelionato e associação criminosa, enquanto a polícia continua a busca por outras possíveis vítimas e empresas afetadas.
A Polícia Civil de São Paulo fez uma operação nesta terça-feira (9) contra um grupo suspeito de aplicar um golpe da venda falsa de produtos no Mercado Livre. O prejuízo calculado pela policia foi de ao menos R$ 263 mil.
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Foram cumpridos cinco dos oito mandados de prisão expedidos pela Justiça. Segundo a polícia, entre os investigados estão dois pastores apontados como líderes do esquema, que estão foragidos na Espanha. Um terceiro suspeito está nos Estados Unidos. Nomes não foram divulgados.
Em nota, o Mercado Livre afirma que a investigação teve origem em uma denúncia realizada pela própria empresa após a identificação de indícios de atividade fraudulenta. A plataforma diz que nenhum comprador ou vendedor foi prejudicado e que os valores foram absorvidos pela empresa. "O Mercado Livre permanece à disposição das autoridades e segue apoiando as investigações", diz.
Ainda segundo o comunicado, o chargeback (contestação de transações por desconhecimento de compra) é uma das modalidades de fraude mais comuns no comércio eletrônico brasileiro. O Mercado Livre afirma ter uma equipe dedicada exclusivamente à prevenção de fraudes, e diz que utiliza inteligência artificial para monitorar as transações na plataforma.
Segundo a polícia, o grupo simulava uma venda que nunca ocorreu. O produto anunciado não existia e comprador e vendedor faziam parte do mesmo esquema.
"Eles fingiam vender um produto, recebiam o dinheiro e depois o comprador contestava a operação. A plataforma acabava absorvendo o prejuízo", afirmou o delegado João Carlos Miguel Hueb, responsável pelo caso.
A investigação da 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes Cibernéticos (DCCiber), do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), aponta que os suspeitos simulavam vendas de produtos inexistentes para obter pagamentos e, posteriormente, cancelar as cobranças feitas nos cartões de crédito utilizados nas operações.
De acordo com o delegado, os organizadores criavam anúncios ou links de pagamento dentro da plataforma e os encaminhavam a comparsas. Os suspeitos faziam compras usando cartões de crédito. Como o sistema liberava os valores ao vendedor após a transação, os recursos eram rapidamente transferidos para contas bancárias ligadas ao grupo.
Na etapa seguinte, os compradores contestavam a cobrança junto à administradora do cartão. Com o estorno aprovado, o valor deixava de ser repassado à plataforma, enquanto o dinheiro já havia sido sacado ou transferido pelos investigados.
A fraude investigada ocorreu em dezembro de 2024. O delegado afirmou que não há indícios, por enquanto, de que o grupo continuou a aplicar fraudes desde então, mas que a polícia está atrás de outras empresas que podem ter sido vítimas.
A partir da análise das transações e da movimentação financeira, os investigadores identificaram a participação de um mesmo casal de pastores, apontado como responsável por organizar as operações.
Além das prisões, a Justiça autorizou o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em endereços na capital paulista, em Guarulhos e em São Caetano do Sul.
O inquérito apura os crimes de estelionato e associação criminosa.
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