A Polícia Civil investiga o desaparecimento de um bebê nascido em setembro do ano passado, após contradições nos relatos dos pais durante uma ação da Polícia Militar em Lagoa Santa, Minas Gerais. O caso foi registrado como abandono de incapaz, levantando preocupações sobre a segurança da criança.
Os pais, usuários de drogas, apresentaram versões conflitantes sobre a morte do bebê, incluindo alegações de agressões e envolvimento com tráfico de drogas. Durante a busca na residência, foram encontrados indícios de desordem e consumo de substâncias ilícitas, mas não havia sinais da presença recente da criança.
A Polícia Civil continua as investigações para localizar o bebê e esclarecer os fatos, enquanto os pais foram liberados por não estarem em flagrante delito. As autoridades enfatizam que as diligências estão em andamento para identificar e responsabilizar os envolvidos na situação.
A Polícia Civil investiga o paradeiro de um bebê nascido em setembro do ano pasasdo, após uma ação da Polícia Militar (PM) revelar contradições entre os pais da criança. A ocorrência foi registrada na última quarta-feira (27/5) em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O caso foi inicialmente registrado como abandono de incapaz.
LEIA TAMBÉM
O acionamento das autoridades ocorreu depois que amigos do casal procuraram a PM. Segundo o relato de testemunhas, mensagens de texto enviadas pela mãe do bebê nos dias 26 e 27 de maio informavam que o filho teria falecido. No entanto, as justificativas apresentadas por ela eram divergentes: primeiro ela afirmou que a família havia sido agredida por um cobrador de dívidas e, em outra, apontou o companheiro como autor das agressões que teriam causado o óbito do filho.
Diante da denúncia, equipes foram até a residência do casal. Conforme o boletim de ocorrência, os moradores autorizaram a entrada dos policiais de forma espontânea. Dentro da casa, os militares constataram muita bagunça, sujeira, garrafas de bebidas alcoólicas, objetos quebrados e diversos pinos vazios de cocaína.
O homem, de 38 anos, e a mulher, de 31, admitiram ser usuários de drogas e apresentavam sinais de alteração psicomotora, desatenção e oscilação de humor. Questionada, a mãe apresentou novas versões. Inicialmente, declarou que o filho havia morrido meses depois do nascimento. Posteriormente, alegou que, devido a uma denúncia de tráfico de drogas feita em Belo Horizonte, passou a sofrer ameaças de morte, o que motivou constantes mudanças.
Ela afirmou que uma terceira mulher teria assassinado a criança em novembro de 2025, em Ipatinga, no Vale do Aço, como retaliação de traficantes, quando o menino tinha 2 meses de vida. Minutos depois, a mulher mudou o depoimento, sustentando que ela, o companheiro e o bebê dormiam na mesma cama quando percebeu que o menor estava com os lábios roxos e sem sinais vitais. De acordo com essa versão, uma cuidadora que havia sido contratada teria pego o corpo e fugido.
Confissão gravada e buscas
O pai da criança autorizou a gravação em vídeo de seu relato pelas autoridades. Ele confirmou o histórico de ameaças decorrentes do envolvimento com o tráfico de drogas na capital e a fuga para o Vale do Aço.
O homem declarou que a terceira mulher, de 43 anos, apontada como a que fugiu com o corpo do bebê, foi convidada para auxiliar nos cuidados do recém-nascido, uma vez que a mãe sofria de depressão pós-parto. Ainda segundo o depoimento do pai, na data do ocorrido em Ipatinga, a mãe teria administrado uma dosagem clonazepam, medicamento sedativo para adormecer o bebê, e teria "exagerado" na quantidade. Ao acordarem, constataram que a criança estava morta.
Temendo as consequências legais, o casal teria entregue o corpo à cuidadora, que o envolveu em tecidos e o descartou em um rio próximo ao local da hospedagem.
Durante as buscas na residência em Lagoa Santa, os militares localizaram a certidão de nascimento e a guia de alta hospitalar do bebê, porém não foram encontrados vestígios de sangue, roupas infantis ou quaisquer indícios da presença recente de uma criança no local. Diante da ausência de informações precisas sobre o paradeiro do menor, o casal foi conduzido à delegacia de plantão.
Posicionamento da Polícia Civil
Nesta segunda-feira (1º/6), a Polícia Civil emitiu uma nota detalhando o andamento dos procedimentos jurídicos adotados pela instituição.
"As investigações prosseguem pela Delegacia de Polícia Civil em Lagoa Santa. Os conduzidos foram ouvidos e, não estando caracterizada situação de flagrante delito no momento da apresentação à autoridade policial, foram liberados, nos termos da legislação vigente", esclareceu.
A instituição ressatou que "as diligências seguem em andamento, visando à localização da criança e à completa elucidação dos fatos, bem como à identificação e responsabilização dos eventuais envolvidos".
LEIA MAIS
+Lidas