Maceió

PC investiga suspeita de tentativa de golpe contra moradores do Pinheiro, Mutange e Bebedouro

Um grupo de supostos advogados e líderes comunitários estaria convocando a população dos bairros para mover ações na Justiça e cobrando altos honorários

Erik Maia | 30/08/19 - 11h15 - Atualizado em 30/08/19 - 11h16
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A Secretaria de Segurança Pública (SSP) designou um delegado especial para apurar um grupo de supostos advogados que estariam, desde o mês de maio deste ano, abordando moradores dos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, atingido por rachaduras causadas pela extração de salgema. Eles são suspeitos de tentar extorquir os moradores. Imagens exibidas pela TV Pajuçara, em maio deste ano, devem ajudar na investigação, segundo a polícia.

O delegado designado é Thiado Prado, da Divisão Especial de Investigações e Capturas, em atendimento a solicitação do Ministério Público Estadual (MPE), feita pelo promotor José Antônio Malta Marques, em virtude de denúncias que foram oferecidas ao órgão.

Imagens de reunião ocorrida em maio deste ano com moradores do bairro. Imagem: Reprodução/TV Pajuçara

O delegado afirmou que já teve acesso ao material publicado em maio pela TV Pajuçara e que a polícia vai investigar para saber se a denúncia atual tem ligação com o crime ocorrido naquela época.

“Precisamos primeiro identificar se os crimes de hoje têm ligação com os ocorridos em maio, e as imagens devem ajudar nesse sentido. Após isso, iremos investigar se o crime de extorsão está sendo realmente praticado”, afirmou.

Segundo o delegado, um carro de som estaria convocando moradores para uma reunião com supostos advogados e líderes comunitários, com a finalidade de mover ações na Justiça para receber indenizações pelos danos causados aos imóveis.

“Nós já ouvimos alguns moradores do bairro. Eles apontam que esse grupo de supostos advogados estaria propondo esta ação e cobrando valores exorbitantes. Então, começamos a investigar. Se durante as investigações, nós flagrarmos uma prática de extorção, com certeza, nós efetuaremos a prisão em flagrante delito”, pontuou.

Prado disse ainda que a maneira que o grupo denunciado agora age é semelhante à denunciada em maio. "O modo é semelhante, e as características também. As pessoas disseram que os advogados seriam pessoas de outros estados, da Região Sul do Brasil", revela.

O que os dois casos teriam em comum é que as pessoas seriam advogados de fora de Alagoas, todos com sotaque diferente.

Confira a reportagem da TV Pajuçara exibida em maio deste ano:

Na semana passada um morador, que prefere não ser identificado pela reportagem, entrou em contato com o TNH1. Segundo ele, uma reunião estava marcada para ocorrer na Travessa Albuquerque Lins, no bairro do Farol, onde o grupo teria montado um tipo de escritório na casa de uma moradora.

Na oportunidade, a reportagem conversou com o presidente da associação SOS Pinheiro, Geraldo Vasconcelos, e com o presidente da Associação dos Empreendedores do Bairro Pinheiro, Alexandre Sampaio, e eles não souberam informar sobre novas reuniões no bairro, mas confirmaram que o grupo que atuou em maio continuaria agindo em Maceió.

“Nós soubemos disso e fizemos essa denúncia. Esses advogados chamam a população num carro de som. Nas propostas de ação, eles estariam cobrando cerca de 30% apenas como honorários, mais as custas processuais. Esses valores são mais altos do que os especificados pela própria OAB”, afirmou Geraldo.

Já Alexandre confirmou ter conhecimento sobre a veiculação do chamado, mas não tinha maiores detalhes.