Pesquisadores recuperam mais de 40 páginas perdidas do Novo Testamento

Publicado em 29/04/2026, às 13h57
Pesquisadores recuperam mais de 40 páginas perdidas do Novo Testamento - Damianos Kasotakis
Pesquisadores recuperam mais de 40 páginas perdidas do Novo Testamento - Damianos Kasotakis

Por Folhapress

Pesquisadores da Universidade de Glasgow recuperaram 42 páginas perdidas do Codex H, um manuscrito grego do século 6 que contém cartas atribuídas a São Paulo, o que pode alterar a compreensão histórica do Novo Testamento.

As páginas foram reutilizadas no século 13 por monges do Mosteiro Great Lavra, e a recuperação foi possível graças à tecnologia de imagem multiespectral, que revelou textos invisíveis a olho nu.

O texto recuperado oferece novas perspectivas sobre a interação dos escribas com os textos sagrados e apresenta as listas de capítulos mais antigas conhecidas das Cartas de Paulo, destacando a reciclagem de obras sagradas na Idade Média.

Resumo gerado por IA

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Glasgow recuperou 42 páginas perdidas de um dos manuscritos mais importantes do Novo Testamento.

As páginas pertencem ao Codex H, uma cópia em grego datada do século 6 das cartas atribuídas a São Paulo, um dos principais apóstolos de Cristo e autor de 13 cartas do Novo Testamento. A descoberta foi divulgada pela Universidade de Glasgow em seu site oficial.

O manuscrito, originalmente um volume completo, foi desmontado no século 13 no Mosteiro Great Lavra, no Monte Athos, na Grécia. Devido ao alto custo do pergaminho, suas páginas foram raspadas e reutilizadas pelos monges como material de encadernação e folhas de apoio para outros manuscritos. Com o tempo, as peças sobreviventes espalharam-se por bibliotecas na Itália, Grécia, Rússia, Ucrânia e França.

Para recuperar as páginas, a equipe liderada pelo professor Garrick Allen utilizou uma técnica avançada de imagem. Conhecida como "tecnologia de imagem multiespectral", ela é capaz de detectar vestígios de tinta invisíveis a olho nu e recuperar "textos fantasmas" que não existem mais fisicamente.

"O avanço veio de um ponto de partida importante: sabíamos que, em algum momento, o manuscrito foi reescrito. Os componentes químicos da nova tinta causaram um dano de 'decalque' nas páginas opostas, criando essencialmente uma imagem espelhada do texto na folha contrária, às vezes deixando traços em várias páginas de profundidade, quase invisíveis a olho nu, mas muito claros com as mais recentes técnicas de imagem", disse o professor Garrick Allen, da Universidade de Glasgow.

O texto recuperado contém trechos conhecidos das Cartas de Paulo, mas oferece uma nova visão sobre como o Novo Testamento foi compreendido ao longo dos séculos. "Ela lança uma nova luz sobre as pessoas que produziram e utilizaram o manuscrito, a maneira como interagiam com seus textos sagrados e as formas como os livros eram reutilizados quando se degradavam", segundo o texto da universidade.

Listas de capítulos antigos: As páginas contêm os exemplos mais antigos conhecidos de listas de capítulos para as Cartas de Paulo, que diferem drasticamente de como dividimos essas cartas hoje.

Visão dos escribas: Os fragmentos mostram como os escribas do século 6 corrigiam, anotavam e interagiam com os textos sagrados.

Reciclagem medieval: O estado físico do manuscrito revela como obras sagradas eram reutilizadas e adaptadas para novos fins quando sofriam danos ou desgaste.

"Dado que o Codex H é um testemunho tão importante para a nossa compreensão das escrituras cristãs, ter descoberto qualquer nova evidência -quanto mais nesta quantidade- de como ele era originalmente, é nada menos que monumental", disse o professor Garrick Allen, da Universidade de Glasgow.

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