Economia

Petroquímica oferece R$ 10 bilhões pelo controle da Braskem

Valor Econômico | 12/06/23 - 10h18
Foto: Edson Omena

Pelos termos da proposta de compra da Braskem encaminhada pela Unipar à Novonor e aos principais credores da antiga Odebrecht neste fim de semana, o valor da operação pode girar em torno de R$ 10 bilhões pelas ações de controle da petroquímica. O preço final, porém, ainda está em aberto e vai depender do desconto (“haircut”) que poderia ser concedido pelas instituições financeiras na renegociação das dívidas da Novonor, apurou o Valor.

Segundo fontes próximas às negociações, as conversas formais entre representantes da Unipar, que está sendo assessorada pelo BR Partners, de Ricardo Lacerda, com os cinco bancos que detêm as ações de controle da Braskem em garantia a dívidas da Novonor - Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - vão ocorrer ao longo da semana.

Assim como no caso da antiga Odebrecht e da Petrobras, as instituições financeiras já haviam tomado conhecimento das linhas gerais da proposta que estava sendo costurada pela Unipar, como parte do projeto batizado Amálgama. Haverá aproximação também com a estatal, segunda maior acionista da Braskem, nos próximos dias, segundo uma das fontes. A Novonor já teria sinalizado que está disposta a seguir adiante.

Maior produtora de cloro e soda cáustica da América do Sul e vice-líder em PVC, a Unipar estava há tempos na disputa pela Braskem, mas, inicialmente, havia indicado interesse apenas por operações em São Paulo, onde a companhia de Frank Geyer Abubakir também tem operação. A proposta de venda fatiada, contudo, não interessou à Novonor nem aos credores.

Com a união entre a gestora americana Apollo e a Empresa Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc), que fizeram uma oferta conjunta por 100% da Braskem há pouco mais de um mês, a Unipar reviu sua posição e partiu para uma oferta que contempla o controle da petroquímica e seus desdobramentos, como uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações detidas por minoritários ordinaristas e preferencialistas.

Em fato relevante publicado no fim da noite de sábado, a Unipar informou que a oferta prevê pagamento parcial e renegociação para a dívida remanescente da Novonor. A proposta indica ainda a possibilidade de a Novonor seguir com uma fatia minoritária indireta na petroquímica e que a Unipar negociará a fatia da Petrobras “no momento adequado”, o que pode envolver renegociação do acordo de acionistas na Braskem.

“A nossa proposta prevê um equilíbrio entre os interesses e necessidades da Novonor, Petrobras, acionistas minoritários e bancos credores da Braskem”, disse em nota o presidente do conselho de administração da Unipar, Bruno Uchino.

Segundo o presidente da Unipar, Mauricio Russomanno, a companhia tem priorizado o crescimento via expansão geográfica, entrada em negócios adjacentes e fusões e aquisições. “A proposta de aquisição da Braskem está consistente e aderente com o direcionamento estratégico comunicado ao mercado”, afirmou, na nota.

Segundo a companhia, o problema geológico da Braskem em Alagoas tem “papel central” nas tratativas de aquisição e a expectativa é que haja “negociação final de uma solução, de forma satisfatória a todos os agentes públicos e partes relacionadas e que atenda plenamente às comunidades e pessoas atingidas”.

Maceió - em outras palavras, disse uma fonte, a percepção é a de que a Braskem não tem conseguido conduzir de maneira adequada esse tema, que recentemente voltou às manchetes diante dos apelos do senador Renan Calheiros (MDB-AL) para que a petroquímica não seja vendida antes de rever sua dívida já bilionária com o Estado. A avaliação é que o valor já separado para fazer frente ao afundamento do solo em bairros de Maceió terá de ser revisto para cima.

Quanto a um provável questionamento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a concentração do mercado de PVC caso a Unipar fique com a Braskem, uma das fontes afirmou que há disposição em aceitar eventual remédio imposto pelo órgão regulador. “O PVC é acessório”, afirmou. Procurada, a Novonor não comentou o assunto.