'Pistola mais valiosa do mundo' é alvo de disputa judicial; arma pertenceu a Hitler

Publicado em 10/08/2026, às 09h20
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Por Page Not Found/Extra Online

A "pistola mais valiosa do mundo" — uma Luger avaliada em US$ 42 milhões (R$ 213 milhões) que pertenceu a Adolf Hitler — está no centro de uma batalha judicial envolvendo um técnico de conserto de eletrodomésticos e um policial na Argentina.

A arma — descrita como o "Santo Graal das armas de fogo" — teria sido roubada durante uma operação policial realizada por agentes mascarados na casa do técnico Juan Pablo Ruppel, na zona rural da província de Buenos Aires, em 2016.

"É uma peça única, e não há dúvida de que é a pistola semiautomática mais valiosa do mundo", afirmou Ruppel ao "NY Post".

Ruppel herdou a arma do seu tio-avô alemão e ex-guarda-costas de Hitler, Hans Ruppel. Segundo ele, foi um presente de aniversário.

O modelo da arma, uma Luger Parabellum calibre .45 (número de série 5), é um dos apenas cinco protótipos de 1907 fabricados pelo falecido e renomado Georg Luger — uma peça tão lendária que foi mencionada pelo personagem Gordon Gekko, interpretado por Michael Douglas, no filme "Wall Street: Poder e Cobiça", de 1987, como "a pistola mais rara do mundo". A pistola Luger nº 5 também é descrita em um alerta da Interpol como portadora da inscrição "Adolf Hitler".

No entanto, é a procedência ligada a Hitler que a torna uma peça de valor inestimável, afirmam especialistas.

"Para entender a importância do que está em jogo aqui, é preciso compreender que esta não é apenas uma bela arma de fogo; é um fantasma do Terceiro Reich, a pistola mais valiosa da Terra”, disse a jornalista investigativa britânica Laurence de Mello, que lidera a investigação independente da família sobre a arma desaparecida enquanto continuam as buscas por ela. A licença de posse da arma, datada de 1979 e registrada no cadastro nacional da Argentina, indicava um endereço em Buenos Aires — local onde o hediondo nazista Josef Mengele, conhecido como "Anjo da Morte", viveu por mais de dois anos antes de fugir da capital argentina.

Segundo Ruppel, a arma que pertencia a Hitler foi levada para a Argentina em 1948 com a ajuda do então presidente do país, Juan Domingo Perón.

"Digo a mesma coisa há 10 anos: se alguém me oferecesse US$ 50 milhões ou a devolução da arma, eu escolheria a arma sempre", afirmou Ruppel. "Mas, como ela ainda não apareceu e não posso continuar esperando, quero que o governo pague a indenização", acrescentou ele.

Ruppel está processando o Ministério de Segurança de Buenos Aires para obter indenização pela arma, que nunca lhe foi devolvida após desaparecer sob custódia policial.

Os dois policiais que lideraram a operação de busca e apreensão na casa de Ruppel deverão ser julgados em março do próximo ano por acusações criminais de furto qualificado e violação dos deveres de funcionário público.

Hans Ruppel serviu na Divisão Leibstandarte da SS — a unidade de guarda-costas pessoal de Hitler — durante a Segunda Guerra Mundial e fugiu para a Argentina em 1945. Ele não esteve envolvido nos crimes de guerra de Mengele e jamais foi acusado em relação às atrocidades nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, afirmou Laurence.

"Encontrar a Parabellum calibre .45 nº 5 de Georg Luger em estado impecável, o Santo Graal das armas de fogo, na casa de um eletricista rural não me surpreende. O que é incrível é que policiais do interior realizaram uma batida com base em uma premissa falsa para obtê-la e sabiam exatamente o que estavam procurando. Eles a levaram sob custódia do Estado, e o Estado simplesmente não consegue encontrá-la. Isso cheira muito pior do que apenas um policial corrupto", completou ela.

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