Maceió

Policiais militares envolvidos em morte de irmãos em Maceió são ouvidos no Code

19/04/16 - 08h50 - Atualizado em 19/04/16 - 10h58
Erik Maia

Atualizada às 09h31

Dois dos três policiais militares envolvidos na ocorrência que resultou na morte dos irmãos Josivaldo, 18, e Josenildo Pereira, 16, e do pedreiro Reinaldo da Silva Ferreira, 49, no conjunto Village Campestre, em Maceió, no dia 25 de março, são ouvidos nesta terça (19), pela Polícia Civil.

O terceiro militar obteve dispensa médica porque, segundo seu advogado, ele perdeu parte do movimento de uma das mãos, onde foi atingido por um tiro durante a ocorrência.

Os depoimentos são prestados a uma comissão de delegados, Teíla Nogueira, Antônio Henrique e Rebecca Gusmão, no Complexo de Delegacias Especializadas, na Mangabeiras. Acompanham no local o promotor de Justiça Flávio Gomes da Costa, o advogado da família das vítimas, Pedro Montenegro, e o comandante do 5º Batalhão da PM, tenente-coronel Carlos Amorim.

Provas técnicas ainda são aguardadas

De acordo com o promotor, além de colher informações com as pessoas que estavam presentes no local, a polícia ainda espera o resultado de provas técnicas para esclarecer o crime.

Uma reprodução simulada do fato, mais conhecida como reconstituição, foi solicitada e aprovada nessa segunda, pelo Conselho Estadual de Segurança, mas agora pode ser adiada por conta da greve dos policiais civis.

“A reconstituição precisa dos agentes, assim como a investigação. Ela pode não ser marcada no prazo que queremos, mas vai acontecer”, afirmou Flávio Gomes.


Defesa afirma que jovens portavam armas

A defesa dos militares que participaram da abordagem alega que os policiais agiram no "estrito cumprimento do dever". Eles teriam abordado dois jovens que estariam armados com uma pistola 380 e uma espingarda calibre 36, desmontada, e teriam reagido.

Na suposta troca de tiros, o pedreiro Reinaldo foi atingido e também morreu.


O comandante do 5º Batalhão também saiu em defesa dos policiais, alegando que não vai apontar qualquer erro e nem mesmo comentar a ação até que o inquérito seja finalizado.

Testemunhas oculares

Ainda segundo o promotor, a polícia já descobriu que entre cinco e seis pessoas foram testemunhas oculares da abordagem policial e estão sendo procuradas para prestar depoimento.

Além disso, ele ressaltou que o inquérito ainda carece de um laudo técnico que ateste que os irmãos eram portadores de deficiência mental. Segundo a família, eles possuíam cadastro na Pestalozzi e recebiam atendimento regularmente por conta da deficiência.

“Não temos nenhum laudo técnico sobre a deficiência. Isso está sendo buscado dentro da fase do inquérito, para que não haja nenhuma sombra de dúvidas sobre se esses jovens tinham algum desvio mental”, alegou.

Policiais militares envolvidos em morte de irmãos em Maceió são ouvidos no Code
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