Preço do boi dispara e carne de burro vira opção contra crise na Argentina

Publicado em 22/04/2026, às 16h40
Foto: Proteção Animal Mundial
Foto: Proteção Animal Mundial

Por Uol

O aumento global do preço do boi gordo está mudando os hábitos alimentares na Argentina, levando a população a optar pela carne de burro como alternativa mais acessível devido à alta da carne bovina.

O preço médio da carne moída na Grande Buenos Aires ultrapassou 10 mil pesos, com um aumento de 63,2% em um ano, enquanto a arroba do boi gordo subiu 26,5% no mesmo período, pressionando os custos.

Produtores estão incentivando o consumo de carne de burro, com o apoio do governo que promete reforçar o controle sanitário, embora a promessa de redução nos preços da carne bovina ainda não tenha se concretizado.

Resumo gerado por IA

O recente aumento mundial do preço do boi gordo altera os hábitos de consumo das famílias na Argentina. Para driblar a inflação da carne bovina, a população considerada a "mais carnívora do mundo" recorre à carne de burro.

O que aconteceu

  • Alta da carne bovina muda hábitos na Argentina. A escalada de preços chegou aos açougues e levou produtores a incentivar o consumo de carne de burro, mais acessível;
  • Quilo da carne bovina supera 10 mil pesos. Segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censo), o preço médio da carne moída comum na Grande Buenos Aires foi de 10.324,46 pesos em março, com alta de 8,4% no mês e 63,2% em 12 meses;
  • Preço elevado se repete em outras regiões. O quilo também supera cinco dígitos na Patagônia (12.528,33 pesos), Nordeste (11.908,60 pesos) e Noroeste (10.415,17 pesos);
  • Alta do boi gordo pressiona custos. A arroba subiu 26,5% no ano, a US$ 73,58, acima do recorde anterior, registrado em abril de 2022, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada);
  • Produtores passam a incentivar carne de burro. O pecuarista Julio Cittadini vende cortes similares aos bovinos por cerca de 7.500 pesos o quilo;
  • Alternativa avança em regiões com restrições produtivas. Segundo Cittadini, áreas como a Patagônia têm limitações para criação tradicional, o que favorece o uso de animais mais resistentes;

"Na carne de burro, os cortes são praticamente os mesmos da carne bovina.
Julio Cittadini, pecuarista argentino ao Infobae a la Tarde.

  • Governo apoia iniciativa. O Ministério da Produção aderiu à proposta e promete reforçar o controle sanitário. Segundo o produtor, a procura superou as expectativas;
  • Consumo de carne segue alto, mas em queda. A média foi de 50 kg por habitante em 2025, abaixo dos cerca de 100 kg anuais registrados no fim dos anos 1950, segundo o IPCVA (Instituto de Promoção da Carne Bovina na Argentina);
  • Promessa de queda nos preços não se concretizou. A redução do valor da carne foi uma das propostas de campanha de Javier Milei, que ainda não virou realildade para as famílias argentinas.

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