Rafael Gustavo Pomim Lopes, um historiador paranaense, possui uma coleção de mais de quatro mil itens relacionados a eleições dos últimos 100 anos, que começou na infância com a coleta de materiais de campanhas políticas. Sua coleção inclui peças raras e itens que não podem mais ser distribuídos, refletindo a história política do Brasil.
Entre os itens, destacam-se um cartão de agradecimento de 1947 da primeira mulher eleita deputada estadual do Paraná e títulos de eleitor antigos, incluindo os das primeiras eleições em que as mulheres puderam votar. A coleção abrange materiais de diversas campanhas, sem distinção de partido ou país.
Pomim adquire suas peças por meio de trocas com outros colecionadores, leilões e doações, e acredita que preservar esses itens é fundamental para manter viva a história da democracia. Ele participa de um grupo de colecionadores e considera seu acervo uma forma de dar voz a pessoas que buscaram mudar suas realidades políticas.
O paranaense Rafael Gustavo Pomim Lopes coleciona mais de quatro mil materiais das eleições dos últimos 100 anos. Atualmente ele é historiador, mas a coleção começou muito antes de ele entrar na graduação; quando era criança, ele começou a guardar santinhos dos candidatos que frequentavam o bar da mãe dele e foi incentivado pelo pai a criar um "álbum de figurinhas" dos papéis dos candidatos, os colando em um caderno.
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Isso aconteceu no ano 2000. Desde então, a coleção foi crescendo e hoje reúne peças raras e itens que são proibidos de serem distribuídos por lei há 20 anos.
Tem lixa de unha, tábua de carne, pente de cabelo, bottom, ursinho de pelúcia, cinzeiro, caixa de fósforos, louças variadas, cadeado, iô-iô... — tudo com a personalização de candidatos às eleições. Entre as peças, também estão títulos de eleitor antigos, incluindo das primeiras eleições em que as mulheres puderam votar, e uma urna de lona, que recebia votos impressos antes da implantação das urnas eletrônicas.
O colecionador não faz distinção nem de partido, nem de tipo de eleição e nem de país. Ele possui desde itens de campanhas norte-americanas, até de eleções que nem não chegaram a acontecer, como a de 1965, devido ao Golpe Militar.
Para conseguir as peças, ele pede a candidatos, pega com amigos e familiares e até mesmo participa de leilões on-line e faz compras pela internet. O historiador ainda integra um grupo que reúne 26 colecionadores de diferentes regiões do país que fazem trocas de itens "garimpados" nos períodos eleitorais.
Para Rafael, o valor do acervo está justamente na possibilidade de manter viva uma parte da história que poderia desaparecer.
“É a história do país como um todo. [...] E como eu já trabalhei em museu, a gente vai vendo a importância disso, do preservar. É tão gratificante quando você tem aquele material que literalmente conta uma história".
Coleção tem peças raras e praticamente centenárias
A coleção de Rafael Pomim tem alguns materiais antigos e raros.
Um deles é um cartão de agradecimento distribuído em 1947 por Rosi Pinheiro Lima, a primeira mulher eleita deputada estadual do Paraná. O item foi adquirido recentemente em uma casa de leilões.
"Eu considero um item muito raro, até porque ela foi a candidata feminina precursora, e então, assim, para mim é um xodó das eleições”, conta.
Ele também possui alguns dos primeiros títulos de eleitoras mulheres do Paraná e cédulas de votação que eram distribuídas pelos candidatos já com a identificação deles nos anos 1930.
Algumas das peças são autografadas, algumas são de políticos famosos, outras de políticos regionais. Para Rafael, o tamanho da candidatura não importa; o que importa, afirma ele, é preservar a história da democracia e das pessoas envolvidas nela.
"Eu penso que preservar isso é um meio de dar voz a essas pessoas que um dia tentaram... Colocaram, literalmente, a cara no sol e tentaram mudar a sua realidade, seja da cidade, do estado ou do país".
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