Contextualizando

Racha no comando do PT: “Menos Janja e mais Alckmin”

Em 7 de Outubro de 2026 às 18:40

Jornalista Vera Rosa:

“Menos Janja e mais Alckmin”. Foi este o recado transmitido pela ex-senadora Kátia Abreu ao participar, na terça-feira, 6, de uma reunião ampliada da cúpula do PT. Na sua avaliação, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição precisa mudar radicalmente e mostrar mais o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), para se aproximar do centro.

A crítica de Kátia, aplaudida no encontro, foi apoiada por deputados, senadores e aliados do PT, que também têm pedido ‘menos artistas e mais povo’ na propaganda eleitoral de Lula.

Em nota, a assessoria Janja disse que ela seguirá na campanha e que tem participação respaldada por Lula. ‘Independentemente do que falem, Janja seguirá na campanha. Sua participação é legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula. O objetivo de todos os envolvidos é um só: reeleger o presidente!’, afirmou.

Kátia se filiou ao PT em abril e hoje coordena a campanha do presidente no Tocantins. Com trajetória política construída no setor agropecuário, a ex-senadora presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e foi ministra da Agricultura no governo de Dilma Rousseff. Antes disso, porém, era ferrenha adversária do PT, tendo passado por partidos como DEM (hoje União Brasil), PP e MDB, entre outros.

A referência a Janja foi feita por Kátia como um exemplo de erros cometidos pela campanha de Lula durante o primeiro turno. Como mostrou o Estadão, o presidente escalou Alckmin para se aproximar da centro-direita, no segundo turno.

A estratégia do PT, agora, será explorar a rejeição do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL que ultrapassou Lula na primeira rodada da disputa, e adotar a tática do medo do que pode representar uma eventual vitória do filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As críticas feitas pela ex-senadora não são isoladas. Desde o resultado das urnas, no domingo, 4, dirigentes do PT e aliados vêm fazendo um processo de ‘caça às bruxas’ para encontrar culpados pelo que chamam de “tragédia anunciada”.

A atuação do presidente do PT, Edinho Silva, coordenador-geral da campanha de Lula, tem sido muito questionada por seus pares, assim como a do ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira. O ministro é sócio do publicitário Raul Rabello, que assina a propaganda eleitoral de Lula.

Diante de Lula, de Edinho e de Sidônio, na noite de segunda-feira, por exemplo, petistas e aliados do partido afirmaram que a campanha do primeiro turno do PT foi ‘despolitizada’. De acordo com essas críticas, os programas de Lula deram prioridade a temas ‘abstratos’, como ‘terras raras’, enquanto Flávio falava da vida real e mostrava o preço dos alimentos no supermercado como exemplo da alta do custo de vida.

Muitos dirigentes do PT também têm reclamado da falta de material de Lula para distribuir nos Estados e da ‘descoordenação política’.

Agora, a menos de 20 dias da segunda etapa da disputa, o presidente decidiu escalar o líder do PT no Senado, Camilo Santana, para dividir o comando da campanha com Edinho. Ex-ministro da Educação, Camilo ganhou pontos com Lula após trabalhar para reeleger o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que enfrentou um confronto muito difícil com Ciro Gomes (PSDB).

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sugeriu ao presidente, por sua vez, que faça mais selfies para postar nas redes sociais. ‘Precisamos divulgar melhor nossas entregas nas redes sociais e falar de futuro’, propôs Fonteles. Lula respondeu que só gostava de falar o essencial no celular.

Nesta quarta-feira, 7, no entanto, ele decidiu gravar uma selfie. ‘Você percebeu que o Congresso Nacional começou a votar o fim da escala 6x1. Eu quero saber como é que o Flávio Bolsonaro vai votar, como é que ele vai orientar o PL para votar’, disse o presidente. ‘Agora chegou a hora de o povo saber a verdade: quem é quem neste País’, completou.

O fim da escala 6x1 é uma das bandeiras da campanha de Lula. Flávio chamou a proposta de emenda à Constituição (PEC) de ‘oportunista’ e evita dizer se votará contra ou a favor do texto, que tramita no Senado.”

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