Os números das mais recentes avaliações sobre a expectativa do eleitorado em relação à disputa presidencial indicam que apesar do desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelas revelações do seu estreito relacionamento com Daniel Vorcaro não alteraram muito sua posição na disputa com o presidente Lula (PT), que vai tentar a reeleição.
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Ambos permanecem num patamar de igualdade que não permite a nenhum deles comemorar antecipadamente nem, também, dar o jogo como perdido.
Na verdade, aumentou a quantidade de indecisos.
É essa a avaliação do jornalista Wilson Pedroso:
"A queda recente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, na esteira do barulho envolvendo o Banco Master e os áudios com Daniel Vorcaro, atiçou o pragmatismo governista.
A velha cartilha política diz que, em um cenário polarizado, o tombo de um lado vira combustível para o outro. É a lógica dos vasos comunicantes.
O eleitor que abandonou o campo bolsonarista não cruzou a fronteira ideológica. Ele simplesmente saiu de campo e foi engrossar a estatística dos indecisos.
Esse recuo em massa para a indecisão mostra que o eleitor ligou o sinal de alerta.
Não é indecisão por falta de informação, é rejeição silenciosa mesmo.
O cidadão cansou de ser empurrado para o confronto e descobriu que a melhor forma de punir os erros de um lado, sem precisar dar o braço a torcer para o outro, é simplesmente sair do jogo.
O erro do Planalto é achar que o desgaste alheio opera milagres sozinho.
A rejeição ao PT continua ativa, funcionando como uma barreira psicológica intransponível para quem está desembarcando da direita.
Eleição não se vence por gravidade, mas por capacidade de atração.
Sem pontes para trazer o moderado, a perda de força de um grupo não consolida o outro.
Essa paralisia nacional joga luz sobre os limites da estratégia governista de manter o país em palanque permanente.
A tentativa de forçar uma polarização eterna nas urnas esbarra na exaustão de um público que já não responde aos velhos estímulos de medo ou salvacionismo.
Ao insistir em uma pauta desgastada e puramente ideológica, o topo do poder corre o risco de continuar discursando no vazio.
O tabuleiro nacional segue travado."
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