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Restos de foguete chinês de 25 toneladas podem cair em território brasileiro

Redação Galileu | 29/07/22 - 17h08
Foto: Reprodução/CASC

Restos do foguete chinês Long March 5B, lançado em 24 de julho, devem reentrar na atmosfera da Terra neste sábado (30) às 19h24, de acordo com o Centro de Estudos de Detritos Orbitais e de Reentrada da Corporação Aeroespacial, centro de pesquisa sem fins lucrativos nos Estados Unidos. Apesar de a China estar acompanhando o retorno do foguete, o processo talvez não seja tão tranquilo. 

O lançamento foi a terceira viagem da espaçonave Long March 5B, que pesa cerca de 25 toneladas, para transportar o cabinete do laboratório espacial Wentian para a ainda incompleta estação espacial chinesa Tianhe.

De acordo com a Corporação Aeroespacial, o foguete entrou em uma descida descontrolada em direção à atmosfera terrestre e não tem um local certo para pousar. Até o momento, o campo de detritos inclui os Estados Unidos, Índia, Austrália, África, Brasil e o sudeste asiático.

Histórico chinês - Esta não é a primeira vez que a China é advertida por não lidar de forma adequada com os detritos espaciais dos estágios de um foguete. Em maio de 2021, os destroços do foguete caíram no Oceano Índico. Mas o primeiro incidente, em maio de 2020, fez com que objetos metálicos atingissem aldeias na Costa do Marfim, embora não tenha feridos.

Em 2022, por mais que os especialistas reconheçam a baixa probabilidade de os destroços atingirem pessoas – cerca de um em seis trilhões a um em 10 trilhões, de acordo com Ted Muelhaupt, especialista em espaço e consultor da The Aerospace Corporation – não excluem a hipótese, dada a experiência de dois anos atrás.

Bill Nelson, atual administrador da Nasa, afirma que as nações que exploram o espaço devem minimizar riscos para as áreas habitadas e pessoas na Terra, além de maximizar a transparência em relação a essas operações. “Está claro que a China não está cumprindo os padrões responsáveis em relação aos seus detritos espaciais", advertiu o gestor em comunicado.

Estágios de um foguete - O primeiro estágio de um foguete, seu propulsor, é normalmente a seção mais volumosa e mais pesada. As trajetórias dos propulsores de foguetes costumam ser planejadas para evitar a órbita e cair no oceano ou, se chegarem à órbita, realizar uma reentrada controlada.

Os motores de propulsão do Long March 5B, no entanto, não podem se reiniciar depois de parados, condenando o propulsor a espiralar ao redor da Terra antes de pousar em um local imprevisível.

Devido ao seu tamanho, os propulsores do Long March 5B podem ser especialmente propensos a riscos durante a reentrada descontrolada, o que significa que porções significativas de sua massa não queimam com segurança na atmosfera.

Preocupação - Segundo a Corporação Aeroespacial, a grande preocupação é a possibilidade de detritos caírem em uma área povoada.

A China descartou essas preocupações e as considerou um exagero: em 2021, Hua Chunying, o então porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, acusou as reportagens ocidentais de serem tendenciosas nas coberturas de queda de foguetes chineses.

De acordo com o Artigo VII do Tratado do Espaço Exterior de 1967, do qual todas as principais nações espaciais são partes, qualquer país que envie um objeto ao espaço é internacionalmente responsável pelos danos que possa causar quando ele cair de volta para a Terra. Se isso acontecer, o incidente é processado em uma comissão de reclamações ou tratado por canais diplomáticos.

Em entrevista ao site Live Science, Christopher Newman, professor de lei e política espacial da Northumbria University, na Inglaterra, disse que todas as principais nações lançadoras terão partes de objetos espaciais que retornarão à Terra de maneira descontrolada, mas estabelecer um consenso internacional sobre como lidar com eles é difícil devido às atuais tensões geopolíticas.

"Este é um problema que precisa de uma solução internacional, especialmente porque objetos como corpos de foguetes são três vezes mais propensos a impactar cidades no 'Sul Global'”, disse Newman. “Entretanto a comunidade internacional ainda não está motivada para tentar resolver esse problema." Ele completa dizendo que um impulso para mudança só vira mais tarde, quando alguma tragédia acontecer.