Engenheiros do MIT desenvolveram um robô inspirado no movimento de serpentes, capaz de percorrer o intestino delgado para auxiliar no diagnóstico e tratamento de doenças, superando desafios de acesso a áreas profundas do órgão.
O robô, que possui uma estrutura tubular flexível e é equipado com câmera e instrumentos médicos, foi projetado para realizar procedimentos como biópsias e administração de medicamentos, facilitando a exploração intestinal.
Embora tenha demonstrado sucesso em testes com animais, a tecnologia ainda está em desenvolvimento, com pesquisadores focados em aprimorar a navegação e explorar novas aplicações, visando tornar os procedimentos médicos mais automatizados e eficientes.
O símbolo oficial da medicina é o Bastão de Asclépio, que traz uma serpente enrolada. E foi justamente esse tipo de animal - mais precisamente, a maneira como eles se movimentam - que inspirou engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, a desenvolver um novo robô. A tecnologia é capaz de percorrer o intestino delgado e ajudar médicos a diagnosticar e tratar doenças.
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O dispositivo, apresentado em um estudo publicado na revista Science Robotics na quarta-feira (28), possui um corpo flexível que imita os movimentos das serpentes. Equipado com uma câmera e instrumentos médicos, ele pode registrar imagens, administrar medicamentos e coletar amostras de tecido para biópsias, além de remover pequenos pólipos.
A tecnologia foi desenvolvida para superar um desafio da medicina: alcançar regiões profundas do intestino delgado. Com mais de seis metros de comprimento e cerca de 2,5 centímetros de diâmetro, o órgão é mais difícil de examinar do que outras partes do sistema digestivo, como o estômago e o intestino grosso.
Atualmente, um dos procedimentos utilizados para investigar sangramentos, lesões e obstruções nessa região é a enteroscopia de duplo balão. Nesse exame, um instrumento avança pelo intestino com a ajuda de dois balões que são inflados e esvaziados alternadamente. Embora permita acessar áreas difíceis, o processo é demorado e exige bastante trabalho dos profissionais de saúde. A proposta dos pesquisadores é tornar essa exploração mais rápida, controlável e automatizada.
Como funciona o robô?
Como aponta comunicado divulga à imprensa, para desenvolver o dispositivo, a equipe se inspirou não apenas na maneira como as cobras deslizam, mas também nas escamas que ajudam esses animais a se movimentar em superfícies escorregadias.
O robô possui uma estrutura tubular formada por mecanismos com quatro câmaras infláveis. Ao controlar a quantidade de ar em cada uma delas, os pesquisadores conseguem fazer o dispositivo se alongar ou se curvar em diferentes direções, reproduzindo movimentos semelhantes aos das serpentes.
Nas extremidades, pequenos balões funcionam como pontos de apoio. Eles se expandem e se contraem alternadamente, permitindo que o robô avance pelo interior do intestino. Outro detalhe importante está no revestimento desses segmentos. Os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada kirigami, uma variação do origami japonês que combina dobras e cortes em materiais.
Quando os balões se expandem, o revestimento se estica e faz surgir pequenas estruturas tridimensionais semelhantes a escamas. Elas aumentam a aderência do robô à superfície escorregadia do intestino, ajudando-o a avançar sem depender de um estiramento excessivo do tecido intestinal, que é delicado.
O sistema também conta com componentes eletrônicos e um controle externo que permite ao operador direcionar o robô por passagens estreitas e curvas acentuadas. Conectado a esse equipamento por um cabo, a tecnologia foi projetada para ser introduzida no organismo pela boca ou pelo reto.
Veja abaixo:
Dos testes às aplicações médicas
Além de se locomover, o robô foi desenvolvido para realizar procedimentos durante a exploração intestinal. Uma câmera permite visualizar o interior do órgão, enquanto um mecanismo de pulverização possibilita administrar medicamentos diretamente em determinadas regiões. O equipamento também possui instrumentos capazes de coletar amostras de tecido e remover pequenos pólipos.
Em testes realizados com animais, os pesquisadores demonstraram que o dispositivo conseguiu percorrer aproximadamente dois metros do intestino delgado. A equipe também testou com sucesso o funcionamento da câmera, do sistema de administração de medicamentos e dos instrumentos de coleta de tecido.
Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento e não foi apresentada como um procedimento disponível para pacientes. Os cientistas trabalham agora no aprimoramento dos sistemas de navegação e na investigação de outras possíveis aplicações dentro do intestino delgado. A expectativa é que, futuramente, robôs desse tipo possam facilitar o acesso a regiões difíceis do sistema digestivo, tornando os procedimentos de diagnóstico e tratamento mais automatizados.
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