Maceió

"Saber que minha filha participou de tudo me destruiu", diz avó de Rhaniel sobre desfecho do crime

Eberth Lins | 23/11/21 - 10h32 - Atualizado em 23/11/21 - 10h54
Dona Regina Laurentino, avó do menino Rhaniel Pedro, que foi morto dentro de casa com a participação da mãe, segundo a polícia | Foto: Reprodução / TV Pajuçara

"Dentro de mim, desconfiava que ele [Vítor Oliveira, o padrasto] estava envolvido e que ela [ Ana Patrícia, a mãe] escondia algo, mas saber que minha filha participou ou acompanhou tudo me destruiu. Não estou em mim". A fala é da aposentada Regina Laurentino, avó materna do menino Rhaniel Pedro, de 10 anos, que segundo a polícia foi morto dentro de casa com a participação da própria mãe, a cuidadora de idosos Ana Patrícia, de 37 anos.

Chorando ao telefone, dona Regina contou ao TNH1 que ainda não conseguiu digerir as informações compartilhadas pelos delegados que detalharam o crime durante entrevista coletiva, nessa segunda-feira (22). "Não está sendo fácil. Ela é minha filha e ouvir tudo aquilo está me doendo muito", lamentou a idosa, que disse sofrer com a ausência do neto, além de estar preocupada com os rumos do caso.

Ana Paula, irmã de Ana Patrícia, conversou com a reportagem e também disse desconfiar da participação do cunhado, mas que ficou surpresa com a inclusão do nome da irmã como colaboradora no crime, tratado pela polícia como homicídio qualificado. "A gente desconfiava dele, sim. Mas ela sempre foi uma boa mãe para o Rhaniel, se esforçava e dava de tudo que podia. Ele estudava na melhor escola do bairro, era bem cuidado", pontuou a tia.

"Estamos arrasados, a família toda está destruída. A Patrícia, além de minha irmã, era minha melhor amiga. Nossa família nunca esteve metida com coisas erradas. Tínhamos nossas farras e festas como qualquer outra família, mas nunca nos envolvemos com drogas. A Patrícia bebia e fumava, mas não usava drogas antes de conhecer o Vitor. Depois dele, ela virou a cabeça", acrescentou.

À direita Ana Patrícia, com a máscara do CSA, e à esquerda Ana Paula, com uma máscara de corujas coloridas. Foto: Reprodução / FAF TV

Semelhança preocupa - A irmã da suspeita disse ainda que teme pela sua segurança por conta da semelhança com Patrícia. "Somos muito parecidas. A diferença é que ela é mais magra, mas tenho medo de ser confundida e agredida pelas pessoas. Daqui que consiga explicar que não sou ela, alguém pode fazer algo grave comigo. Desde ontem tenho recebido relatos de que a minha foto está sendo compartilhada em grupos de Whatsapp como sendo a Patrícia, até a imprensa já confundiu as nossas fotos e precisei entrar em contato para pedir que a foto fosse removida", lamentou Paula.

Ana Patrícia, o companheiro dela, Vitor Oliveira, de 28 anos, e o cunhado, Vagner Oliveira, de 28 anos, foram indiciados por homicídio qualificado e já estão detidos no sistema prisional de Alagoas.  Vitor já estava preso, suspeito de violência sexual contra uma menina de 12 anos, prima de Rhaniel. Já Patrícia e Vagner foram presos na última sexta-feira, mas as prisões, bem como o detalhamento do caso, só foram expostos ontem durante coletiva de imprensa da Polícia Civil (PC), em parceria com a Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Rhaniel Pedro, de 10 anos, foi morto dentro de casa no bairro Clima Bom, em Maceió. Foto: Reprodução / Rede social 

O corpo de Rhaniel Pedro foi encontrado no dia 13 de maio deste ano, em um terreno abandonado no bairro Clima Bom, onde a família reside. O caso logo ganhou grande repercussão e a cobrança por respostas e justiça chegou a contar com o engajamento de times de futebol, que o homenagearam o garoto na final do Campeonato Alagoano. A mãe do menino, por diversas vezes, fez uso das redes sociais para pedir justiça e repudiar comentários que a apontavam como cúmplice do companheiro.