Nordeste

Satélite brasileiro detecta mancha de óleo e amplia cena do vazamento no RN

Letras Ambientais | 19/11/19 - 16h11 - Atualizado em 19/11/19 - 16h52

O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) identificou uma nova mancha de óleo, desta vez na costa leste, próximo ao Rio Grande do Norte. A imagem foi capturada pelo satélite sino-brasileiro CBERS, no dia 25 de julho de 2019.

De acordo com a imagem acima, do satélite CBERS-4AWFI, foi detectada uma mancha de óleo a 60 km de Touros (RN), com 100 a 200 km de extensão.

A nova imagem encontrada é importante por complementar a cena da dia 24 de julho, quando foi capturado o sinal de uma grande mancha de óleo, pelo satélite europeu Sentinel-1A, a 40 km de São Miguel do Gostoso (RN), na costa norte do Nordeste.

O Lapis é usuário cadastrado para receber os dados da plataforma CBERS, embora não tenha conseguido, em um primeiro momento, acessar o catálogo das imagens do dia 25 de julho. Todavia, após solicitar o acesso ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a imagem foi enviada ao Laboratório.

O Inpe justificou que ainda não havia disponibilizado a imagem no catálogo, em função de testes após uma troca de equipamento que processa a imagem em Cachoeira Paulista (SP).

Segundo o pesquisador Humberto Barbosa, responsável pelas investigações no Lapis, tudo indica que a mancha de óleo do dia 24 de julho, na costa norte do Nordeste, foi levada pelos ventos para próximo da costa leste da região, onde foi registrada pelo CBERS, no dia 25 de julho. 

Ele destaca que a imagem do satélite Sentinel-1A, do dia 24 de julho, com uma mancha de óleo próxima ao Rio Grande do Norte, norteou todo o avanço da pesquisa do Lapis. Agora, a cena capturada lá foi complementada pela imagem do satélite CBERS, do dia seguinte.

“A imagem do Sentinel-1A, foi peça-chave, pois permitiu ao Lapis eliminar a suspeita de que um dos cinco navios gregos poderia ter causado o vazamento de óleo no mar. Também conectou com uma segunda mancha de óleo do dia 19 de julho, no Litoral da Paraíba. E ainda nos permitiu indicar, pela primeira vez, um navio suspeito de cometer o crime ambiental no Litoral brasileiro”, destaca Barbosa. 

A nova imagem do CBERS, do dia 25 de julho, descarta definitivamente qualquer possibilidade de relação do navio Bouboulina com o derramamento de óleo no Nordeste, que passou ali somente dia 27 de julho. 

Antes de o Lapis concluir sua hipótese sobre as manchas de óleo, a imagem do Sentinel-1A foi compartilhada com especialistas da Agência Europeia para Exploração dos Satélites (EUMETSAT), que indicaram referências bibliográficas para apoiar na interpretação do sinal de óleo pelo Laboratório.

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