Saúde

Saúde prepara nova força-tarefa contra o Aedes aegypti

10/07/16 - 16h31 - Atualizado em 10/07/16 - 16h35

A Coordenação das Doenças Transmitidas por Vetores e Animais Peçonhentos  (CDTVAP), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), informa que no próximo dia 22 de julho, haverá um encontro com autoridades sanitárias e representantes das coordenadorias de Defesa Civil da capital e do Estado, para discutir uma nova força-tarefa de combate ao mosquito Aedes aegypti. O encontro vai acontecer no período da manhã, na sede do escritório do Ministério da Saúde, no bairro do Farol.

Segundo a coordenadora do CDTVAP, a veterinária Carmem Samico, o Ministério da Saúde deve realizar uma nova força-tarefa de combate ao Aedes aegypti em nível nacional, logo após o término das Olimpíadas no Rio de Janeiro (de 3 a 21 de agosto).  Ela acrescenta que o trabalho, nesse segundo momento, estará focado na estrutura do saneamento básico e nos aspectos que precisarão ser corrigidos para reequilibrar o meio ambiente.

De janeiro a junho deste ano ocorreu a primeira força-tarefa de combate ao vetor que transmite quatro tipos de dengue, a zika e a febre chikungunya, com a participação de homens das Forças Armadas, Exército e Aeronáutica, Defesa Civil (estadual e municipal), Vigilância Sanitária e secretarias de Saúde (estadual e municipal).

De acordo com o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti o Lira I, de janeiro deste ano, o Índice de Infestação Predial (IP) foi de 1,2%. Nesse período, foram visitados 16.906 imóveis e o local com maior quantidade do vetor foi o de depósito ao nível de solo (tonéis, piscinas, barris, tanques, poços etc.). "Esse é um perfil mais característico dos bairros da parte baixa da cidade, como Centro, Pajuçara e Ponta Verde, entre outros”, destacou Samico.

O cálculo do IP corresponde ao resultado dos imóveis positivos (que tinham larvas do mosquito), dividido pelo total de imóveis pesquisados vezes 100 - consegue medir o risco de epidemia de uma cidade.

O Lira II, de abril, apresentou um índice de Infestação predial de 1,5% e foram visitados 16.123 mil imóveis. O local com maior quantidade do mosquito foi em lixos, sucatas, ferros velhos, descartáveis, tampas plásticas etc. “Esse resultado ressalta uma característica mais específica dos bairros da parte alta da cidade, como Tabuleiro, Serraria, Benedito Bentes, entre outros”, frisou Samico, que anuncia o Lira III para o final do mês de julho.

Doenças

De acordo com os Boletins Epidemiológicos da SMS, de janeiro até junho deste ano, foram notificados 2.635 casos de dengue; no mesmo período de 2015, foram 2.553. Segundo Carmem Samico, os números não demonstram crescimento da doença. “O que podemos ver é que são bem equiparados. Podemos considerar que a população está ‘imunizada’ à picada do vetor”.

De janeiro a junho de 2015, foram notificados 3.928 casos de zika, para 4.413 no mesmo período deste ano. Samico ressalta que isso demonstra a vulnerabilidade da população em relação ao novo vírus transmitido pelo Aedes. “Temos um milhão de pessoas em situação de vulnerabilidade para a zika e a chikungunya”, atentou.

No caso da chikungunya, em 2014 surge o vírus com 12 casos. Em 2015, em uma escala ainda tímida foram registrados 85 casos, e este ano, de janeiro até agora, 1.458 casos.

Carmem Samico diz que essa realidade é uma conseqüência da falta de saneamento básico e também da falta de educação da população que não zela pelo meio ambiente. “O Aedes é um vetor de floresta, de origem silvestre, chegou à área urbana e encontrou um ambiente favorável para reproduzir”, destaca a veterinária, lembrando que somente o mosquito fêmea transmite a doença e que só pica para poder reproduzir. O macho não suga sangue humano, ele vive do néctar das flores.