Nordeste

'Sentimento é de frustração', diz professor que investiga origem de petróleo em praias do Nordeste

Deborah Freire e João Victor Souza | 14/10/19 - 10h47 - Atualizado em 14/10/19 - 10h50
Petróleo encontrado em Coruripe, Alagoas, na semana passada | Instituto Biota de Conservação

Institutos de pesquisa do Nordeste e também do Sudeste do país, além da Marinha do Brasil, investigam a origem do petróleo que mancha praias do litoral de nove estados e mata animais marinhos desde final de agosto e início de setembro.

Em contato entre si por meio de um grupo de oceanografia, os pesquisadores ainda não chegaram a uma conclusão sobre a causa do problema, o que para o professor Carlos Teixeira, oceanógrafo do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará, gera um "sentimento de frustração".

"Porque a gente não está conseguindo descobrir. E ver imagens da Praia do Forte, que é um lugar que a gente frequenta, uma importante área para a reprodução marinha, do jeito que está... Precisamos de mais pistas. A Marinha está cruzando rotas de navios com prováveis lugares em que o óleo foi descartado, mas ainda não conseguiu resultado", detalha o professor.

Segundo Teixeira, o grande obstáculo da investigação é a inexistência de uma provável data do acidente ou crime que provocou o lançamento de petróleo no mar. "Não sabemos quando o óleo foi jogado. Fizemos várias simulações numéricas que nos dão a velocidade da corrente, mas não tenho o tempo, por isso não consigo achar o espaço. Por exemplo, se soubéssemos que houve um vazamento na frente (da costa) do Rio de Janeiro, seria fácil saber para onde ela vai", explica.

Óleo pode estar viajando por baixo d'água

Rastreamentos por satélite também não conseguiram localizar as manchas e sua origem. A partir dessa dificuldade, a comunidade científica já acredita em uma nova hipótese, a de que o óleo viaja por baixo d'água, mas a informação não é conclusiva.

Achados de materiais como garrafas de água com fabricação em países asiáticos, que foram encontrados no litoral do Ceará e em Alagoas, segundo Teixeira, não são indícios sobre as manchas de óleo. Ele afirmou que os registros são comuns e o material pode ter sido descartado de navios.

Universidades da Bahia, Pernambuco, São Paulo, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Marinha, além do Labomar da UFC continuam em busca de respostas para o acidente ambiental.

Barris encontrados em Sergipe

A substância contida em dois barris encontrados em Sergipe, sendo um na praia de Formosa, em Aracaju, e outro na praia de Jatobá, na Barra dos Coqueiros, foi submetida para análise das instituições competentes. O material foi encontrado no mês de setembro e ainda não há confirmação da origem.

No último dia 30, a Marinha havia revelado que o óleo encontrado dentro dos tambores é incompatível com as manchas que atingiram as praias do estado. Porém, uma informação publicada pelo site UOL, no dia 12 de outubro, destacou que uma pesquisa conclusiva da Universidade Federal de Sergipe contradisse a avaliação.

O TNH1 entrou em contato com a universidade, nesta segunda-feira, para saber mais detalhes sobre os estudos. Mas a unidade afirmou desconhecer a informação. Segundo ela, o pesquisador Alberto Wisniewski, que está à frente da análise, não confirmou a conclusão da averiguação.

Nos últimos dias, o governo pediu que a Shell explicasse o aparecimento dos barris, já que havia a inscrição de um lubrificante fabricado pela empresa. Ela reforçou que o conteúdo original dos tambores não tem relação com o óleo cru encontrado em diferentes praias da costa brasileira.