Polícia

Suspeitos de matar professor em Arapiraca se contradizem sobre autoria do crime

Erik Maia | 19/09/19 - 11h37 - Atualizado em 19/09/19 - 11h43
Ascom PC/SP

O segundo suspeito de participar da morte do professor Vandiele Silva, assassinado em casa, em Arapiraca, no dia 30 de agosto, foi preso durante o dia de ontem (18), em Praia Grande, no litoral do Estado de São Paulo. Em entrevista a um portal de notícias da região, Cleber José de Souza Braga disse não ter esfaqueado o professor, o que contradiz a versão apresentada pelo outro suspeito, Wallaph Magno Almeida de Souza, que se apresentou à polícia.

Cleber afirma que foi ao banheiro da casa de Vandiele para tomar um banho, e que quando saiu presenciou Wallaph esfaqueando o professor no pescoço. “A cachaça já estava me pegando, quando perguntei: ‘Onde é o banheiro aqui?’, e ele disse: ‘Primeira porta à direita’. Aí eu fui e tomei banho. Aí quando voltei o Wallaph estava com a faca cravada no pescoço dele, e tirou e cravou de novo”, relata.

Veja a entrevista completa concedida ao portal A Tribuna:

A versão apresentada por ele difere da apresentada por Wallaph após se apresentar à polícia. Na delegacia de Arapiraca, Wallaph confirmou que ele e Cleber aceitaram um convite para beber na casa da vítima e, já na manhã do dia seguinte, após se afastar deles por alguns minutos para preparar uma comida, foi surpreendido com o barulho de luta corporal entre Cleber e Vandiele. Ele explicou que tentou separar a briga e que teria sido atingido pela faca que o outro suspeito portava, no entanto, não conseguiu impedir a morte do suplente de vereador.

Cleber afirma ainda que foi Wallaph quem decidiu incendiar o carro do professor, usado pela dupla na fuga. “Ele fez para sair do latrocínio”, afirmou.

Durante a audiência de custódia, Wallaph foi posto em liberdade provisória. Na decisão, a Justiça considerou que ele é réu primário, possui residência fixa e se entregou espontaneamente à autoridade policial. Além disso, o magistrado decidiu determinar o uso da tornozeleira eletrônica; o comparecimento trimestral em juízo; que não mude de residência, ou deixe a cidade por mais de oito dias, e que esteja em casa das 22h até às 05h.

O delegado Everton Gonçalves, que coordena a Delegacia de Homicídios de Arapiraca, informou que ainda não pode falar sobre as diferenças nas versões apresentadas pelos suspeitos, nem sobre a motivação do crime.

O delegado apenas informou que a Polícia Civil deverá encaminhar uma equipe ao estado de São Paulo na próxima semana para conduzir Cleber para Alagoas. “O recambiamento já foi autorizado. Nós já estamos planejando esse translado, que deve acontecer na próxima semana, mas ainda não há nada definido” explicou.