Tem dinheiro esquecido nos bancos? Governo usará para ajudar endividados

Publicado em 12/05/2026, às 10h37
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Por g1

Instituições financeiras devem transferir até esta terça-feira (12) R$ 10,55 bilhões em recursos esquecidos para um fundo público, conforme regulamentação do Desenrola 2.0, com o objetivo de viabilizar descontos na renegociação de dívidas.

Desses recursos, R$ 8,15 bilhões pertencem a 47 milhões de pessoas físicas e R$ 2,4 bilhões a 5,06 milhões de empresas, com o governo prevendo usar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões para garantir operações de crédito.

Após a transferência, um edital permitirá que correntistas contestem a movimentação em um prazo de 30 dias, com a devolução dos valores contestados prevista em até 15 dias úteis, enquanto os não contestados serão incorporados ao patrimônio do fundo.

Resumo gerado por IA

As instituições financeiras têm até esta terça-feira (12) para transferir a um fundo público os recursos esquecidos pelos correntistas em suas contas.

A determinação consta em portaria publicada na última semana pelo governo para regulamentar o Desenrola 2.0.

Balanço divulgado no mês passado pelo Banco Central mostra que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 10,55 bilhões em "recursos esquecidos" por 47 milhões de clientes. Deste total:

  • R$ 8,15 bilhões são recursos de 47 milhões de pessoas físicas;
  • R$ 2,4 bilhões são valores de 5,06 milhões de empresas.

No começo deste mês, o governo informou que vai usar de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas.

Esse dinheiro irá para um fundo público, o FGO, para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.

"Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo.

➡️O Ministério da Fazenda argumenta que esses recursos, que hoje estão nas tesourarias das instituições financeiras, "passarão a gerar benefícios para todo o sistema financeiro, em especial para as famílias que renegociarem suas dívidas".

Prazos para reaver o dinheiro

➡️De acordo com portaria publicada na última terça-feira (5), a transferência de recursos ao fundo público (FGO) será realizada pelas instituições financeiras em um prazo de cinco dias úteis, ou seja, até esta terça-feira (12).

➡️O governo também informou que será lançado um edital de chamamento público para os correntistas. Assim que publicado, o edital irá prever um prazo de 30 dias corridos para que clientes dos bancos possam contestar a transferência realizada. Eles deverão apresentar documentação necessária.

"Uma vez realizada a transferência, o Ministério da Fazenda, com apoio do FGO, publicará edital de chamamento público no Diário Oficial da União, que trará link para acesso a sistema de informações, em ambiente restrito e com acesso individualizado, no qual será possível consultar, dentre outros, sobre os montantes transferidos, a instituição responsável, a agência e número da conta", diz a portaria publicada pelo Ministério da Fazenda.

Uma vez apresentada a contestação dos correntistas, os valores serão revertidos pelo fundo aos bancos, que farão a devolução dos recursos aos seus correntistas, em até 15 dias úteis. Esse valor será corrigido pelo IPCA-15.

"Decorrido o prazo [de 30 dias úteis a partir da abertura do chamamento público], os valores transferidos não contestados ficarão incorporados de forma definitiva ao patrimônio do FGO [o fundo público que vai funcionar como garantia dentro do Desenrola 2.0]", informou o governo, por meio da portaria publicada no Diário Oficial da União.

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