As investigações da Polícia Federal estão cada vez mais a demonstrar que os tentáculos de Daniel Vorcaro e do seu Banco Master são bastante democráticos.
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Sabe-se agora, a cada operação policial, que foram contemplados figuras expressivas do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e do empresariado brasileiro.
O caso desta sexta-feira envolve diretamente o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, da Bahia, Estado por onde começou a tirineta dos falsários, que através da corrupção lesaram milhões de inativos do INSS, dentre outras falcatruas.
Alguém pensa que o presidente Lula (PT) manifestou indignação pelo envolvimento de um dos "homens de ouro"?
Muito pelo contrário, o atual inquilino do Palácio do Planalto fez o contrário: externou solidariedade ao "cumpanhêro"...
O jornalista Rodolfo Borges comenta esse novo episódio da corrupção que toma conta do Brasil, em todos os setores:
"Agora é oficial: o escândalo do Banco Master não distingue os dois principais projetos de poder do Brasil no momento. O mesmo dedo que os lulistas vinham apontando para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por causa do patrocínio do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, pode ser apontado agora para Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado.
E o dedo já está sendo apontado.
'Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder', disse Flávio, como se não tivesse nada a ver com Vorcaro.
Ex-governador da Bahia, Wagner é um dos alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 18, por suspeita de cometimento de crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Também foi alvo da Polícia Federal o empresário Augusto Lima. A suspeita é de que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina de 3,5 milhões de reais, por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento.
O líder do governo Lula no Senado também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro. A PF acredita que Wagner atuou pela 'Emenda Master', apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), parte da estratégia de segurança da irresponsável instituição liquidada de Vorcaro, e também de outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.
A relação do PT da Bahia com o Master já era alvo de críticas, por ser apontada como a gênese do império fraudulento de Vorcaro, mas a investigação só chegou publicamente ao caso agora.
Em 2007, o governo de Wagner criou o Credcesta, um programa de benefícios para servidores estaduais que evoluiu para uma operação de crédito consignado com desconto em folha.
Em 2018, durante o governo de Rui Costa (PT), a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal/Cesta do Povo) foi privatizada, e Augusto Lima, sócio de Vorcaro no Master, obteve exclusividade de 15 anos para administrar o Credcesta, que acabaria integrado ao banco.
A operação também se aproximou nesta semana de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, que teve sua hospedagem para o Gilmapalooza de 2024, em Lisboa, paga por Vorcaro, e foi flagrado pedindo empréstimo a Vorcaro para empresa de sua cunhada.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é outro que teve o nome ligado ao escândalo, por supostamente ter recebido 30 milhões de dólares do banqueiro, mas essa informação não foi confirmada oficialmente pela PF e o senador nega qualquer irregularidade.
O governo Lula já estava informalmente implicado pelas reuniões fora da agenda da cúpula do governo, entre eles o próprio presidente, com Vorcaro, que contratara ex-ministros do petista.
Instalou-se, assim, o clima de Lava Jato que o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, tanto temia. O ministro tentou aliviar na terça-feira, 16, a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro preso, comparando a condução da Compliance Zero à da Lava Jato.
O relator do caso, André Mendonça, argumentou pela manutenção da prisão preventiva de Henrique e de Felipe Vorcaro, primo do banqueiro preso, e defendeu a investigação.
Após as críticas públicas de Gilmar, Mendonça também autorizou, nesta quinta, a nona fase da operação, que parece estar bem longe de ser a última e ameaça adentrar a eleição deste ano."
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