Economia

Temor com a variante Delta provocou até saldão de ações na bolsa

Valor Investe | 04/08/21 - 10h03 - Atualizado em 04/08/21 - 10h17
Foto: Anna Shvets/Pexels

A variante Delta acendeu no mercado o alerta de que a pandemia não acabou. Mesmo com vacinas se mostrando capazes de segurar o tranco da nova variante da covid-19, o medo bateu. E o salto de contágios na Europa e nos Estados Unidos foi dos principais gatilhos de venda de ações na bolsa do Brasil no mês de julho. 

Vídeo: infectologista tira dúvidas sobre a variante Delta

Essa tese se baseia no fato de que ♫ ainda vai levar um tempo para fechar o que feriu por dentro ♪. Quer dizer, até a vacinação ser de fato predominante no Brasil e a mobilidade ser retomada por completo. Ao contrário dos países com imunização já avançada, os grandes ganhos de receitas das companhias ainda nem começaram. A variante Delta, contra a qual as vacinas são eficientes, não deve impedir o Brasil de descomprimir seu potencial de consumo nos próximos meses.

Priscila Araujo, gestora da Macro Capital, destaca de bate pronto o papel da CVC (CVCB3) como dos principais descontos oferecidos pela variante Delta no Brasil. A companhia de turismo, evidentemente, é das principais interessadas em dar "adeus" à necessidade de isolamento social. E na retomada do fluxo normal de turistas dentro do Brasil e para fora do país.

"Existe uma demanda reprimida muito grande, e nesse meio tempo a empresa vai se digitalizando, melhorando seus fundamentos, e acabou sofrendo muito na bolsa nas últimas semanas com a variante Delta", diz. Em 30 dias terminados na terça-feira (3), a ação da empresa apanhou em 20%, indo aos R$ 21,59.

"Estou muito otimista com o desempenho da economia nestes últimos meses do ano, a variante Delta preocupa, mas as vacinas são eficazes", diz a especialista. "Acho que vamos nos surpreender com os resultados das empresas, assim como aconteceu nos Estados Unidos, com 85% dos balanços no segundo trimestre vindo acima do projetado. Vejo hoje empresas claramente muito boas sendo deixadas de lado pelo investidor, e que devem trazer números muito positivos."

Dentre as quais, Araujo aponta uma estreia recente na bolsa brasileira, a empresa de logística e transportes Sequoia (SEQL3). Tendo feito sua abertura de capital em outubro do ano passado, acumulava em 2021, até o dia 2 de julho, valorização de quase 28%. Em poucas semanas, devolveu quase tudo, derretendo em 30 dias 23,64%, dos R$ 29,10 aos R$ 22,22. Mesmo que, na visão da gestora, seus fundamentos sigam sólidos. Construídos, na sequência de sua capitalização, com a aquisições como a da companhia Direcional (DIRR3).

Aline Cardoso, gestora de renda variável da EQI Asset, também têm as ações da Sequoia na relação de maiores pechinchas cavadas no mercado brasileiro no mês de julho. "Na liquidação permitida pela variante Delta, sofreram as ações de empresas que mais subiam, e acho que exageraram", diz. "São empresas, inclusive, que não sofrem impacto da covid-19 ou até se beneficiam." 

Entre as quais, Cardoso aponta para a queda das ações da Petz (PETZ3) em 30 dias até a última sessão, de 1,15%. Um saldo negativo que já foi mais profundo, diminuído após uma alta de 5,63% na véspera, no embalo da aquisição da Zee.Dog. Ritmo que tem tudo para se manter daqui em diante.

"É uma empresa que não fechou as portas na pandemia e que o on-line traz 30% das receitas", diz a gestora. "Essa última negociação me parece extremamente complementar ao ecossistema da empresa, traz uma companhia com uma marca fortíssima, com presença em 45 países, e com uma mentalidade digital e disruptiva. Golaço!"

No setor financeiro, Cardoso aponta para o recuo de 13,45% dos papéis do Banco Pan (BPAN4) no mesmo intervalo, aos R$ 114,88 por papel. "É um banco digital, também sem impactos de pandemia, e que acaba até ganhando fatias de mercado dos bancos grandes."