Especialista explica como adaptar a rotina de exercícios às mudanças do corpo para manter uma vida ativa e reduzir o risco de lesões
Manter o corpo ativo traz benefícios à saúde em diferentes fases da vida. A partir dos 50 anos, porém, combinar diferentes tipos de exercício pode contribuir para preservar a força, a mobilidade, o equilíbrio e a autonomia. As recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam a inclusão de atividades que trabalhem a força muscular e o equilíbrio, além dos exercícios aeróbicos.
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O Brasil vive uma transformação demográfica e comportamental e hoje mais de 62 milhões de pessoas têm 50 anos ou mais, segundo dados divulgados em julho de 2026 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número, equivalente a 29% da população, reforça a importância de manter o corpo em movimento para preservar força, mobilidade, equilíbrio e autonomia ao longo da vida. Isso porque, com o passar dos anos, é natural que o organismo apresente novas necessidades e limitações.
Para quem deseja começar ou intensificar os treinos depois dos 50 anos, o profissional de educação física Breno Daniel, da Academia Corpo e Saúde, reúne seis dicas para praticar exercícios com mais segurança e manter a regularidade:
Antes de iniciar ou aumentar a intensidade dos treinos, é importante conhecer as próprias condições físicas e, quando necessário, buscar uma avaliação médica. “A avaliação física também ajuda a identificar limitações de mobilidade, força e condicionamento e permite que o programa de exercícios seja adaptado às necessidades de cada pessoa”, destaca o especialista.
Com o avanço da idade, ocorre uma perda natural de massa e força muscular, processo que pode comprometer mobilidade e autonomia. Por isso, exercícios de força são importantes para preservar a capacidade funcional e facilitar atividades do dia a dia. A OMS recomenda atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.
“Fortalecer a musculatura é fundamental para preservar a independência ao longo dos anos. O objetivo não é apenas ganhar músculos, mas manter a capacidade de realizar movimentos cotidianos com segurança e autonomia”, pontua Breno Daniel.
Para quem apresenta desconforto ou limitações articulares, atividades de menor impacto podem ser boas alternativas. “A hidroginástica, por exemplo, permite trabalhar resistência muscular, condicionamento cardiovascular, mobilidade e coordenação com menor impacto sobre as articulações”, indica o profissional.

O equilíbrio também merece atenção nessa fase da vida. Exercícios que envolvem estabilidade, coordenação, mudanças de direção e controle corporal podem contribuir para melhorar a segurança dos movimentos e reduzir o risco de quedas. “Equilíbrio é uma capacidade que precisa ser treinada. Exercícios simples, quando realizados de maneira progressiva e com orientação, ajudam o aluno a ganhar mais confiança para se movimentar no dia a dia”, afirma.
Não é preciso treinar todos os dias ou realizar exercícios extremamente intensos para obter benefícios. “Depois dos 50, a regularidade deve ser uma prioridade. O ideal é construir uma rotina que seja compatível com o condicionamento e possa ser mantida no longo prazo, respeitando também os períodos de recuperação. Mais importante do que fazer um treino intenso de maneira ocasional é estabelecer uma frequência consistente e evoluir gradualmente”, ressalta o professor.
Aulas coletivas podem ser uma boa escolha para quem tem dificuldade de manter a regularidade. Além de proporcionar uma atividade orientada, modalidades como hidroginástica e funcional criam oportunidades de convivência e interação social, fatores que podem tornar o exercício mais prazeroso e favorecer a adesão à rotina.
“Quando a pessoa encontra uma atividade de que gosta e um ambiente em que se sente bem, a chance de transformar o exercício em um hábito aumenta. Depois dos 50, isso faz toda a diferença para manter uma vida ativa ao longo dos anos”, completa Breno Daniel.
Por Bruna Hess
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