Silvio Cascione, Mestre em ciência política pela UNB:
"Diferentemente da eleição presidencial de 2022, quando existiam apenas duas opções viáveis, há três cenários possíveis este ano.
O primeiro, e um pouco mais provável do que os outros, é a reeleição de Lula. O presidente não apenas lidera a maioria das pesquisas de intenção de voto, como sustenta um índice de aprovação de aproximadamente 47%, em média (em uma escala 'aprova/desaprova').
Seis meses antes da eleição, esse índice era de 44%. Lula é muito menos popular do que em mandatos anteriores, mas é ainda mais bem quisto pelo eleitorado do que seus rivais em outros países, como Trump e Milei.
Mais importante do que isso, sua popularidade é superior à de Bolsonaro antes da eleição de 2022, e está acima do nível médio exibido por presidentes que conseguiram a reeleição, conforme uma base de dados com mais de 500 disputas, mantida pela Ipsos Public Affairs.
Para completar, na coluna passada, comentei sobre o efeito positivo que a campanha costuma ter sobre os números de um presidente em busca da reeleição. Ou seja, a tendência é de que Lula ainda suba pelo menos um pouco mais, e não que caia. Por esses motivos, é difícil apostar contra ele neste momento.
Mas essa eleição será muito apertada, mais do que as últimas, o que aumenta a incerteza. Os outros dois cenários também precisam ser levados a sério.
Dos cenários alternativos, o mais provável é a eleição de Flávio Bolsonaro. O fato de ter uma chapa sem aliados, marcada por brigas internas e denúncias, não significa derrota certa. Na verdade, é notável a resiliência de sua base. Cerca de um quinto do eleitorado demonstra um apoio leal ao ex-presidente Bolsonaro, e o grupo mantém Flávio como o candidato de oposição mais próximo de uma vaga no segundo turno.
Estando lá, ele estará próximo o bastante de Lula para buscar uma virada, especialmente se o noticiário de outubro, com suas surpresas, for mais generoso com ele do que com o atual presidente.
E, diferentemente de 2022, existe um terceiro cenário. Ele não era minimamente viável na eleição passada, quando a polarização entre Bolsonaro e Lula estava muito mais aguda. Mas, hoje, as palavras que mais caracterizam o eleitorado são desalento, exaustão, mau humor. Há um anseio, uma angústia até, por novas lideranças, e não há sinais de entusiasmo.
O eleitor brasileiro está preocupado com o futuro. Isso significa que os candidatos alternativos de oposição, embora estejam em um patamar bastante inferior ao de Bolsonaro em 2018, podem, sim, quebrar a polarização atual e vencer a eleição.
Não será fácil superar Flávio, ainda mais se os três principais nomes alternativos crescerem simultaneamente, dividindo a atenção do eleitorado, cada um em um nicho. Mas isso não é impossível, como era em 2022. O que um deles precisa fazer é aproveitar o ímpeto inicial que virá com a campanha para se aproximar o bastante de Flávio e, então, propor o voto útil para os bolsonaristas fiéis.
Qual deles tem mais chance de conseguir? Isso também ainda está em aberto.”
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