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Trump anuncia que John Kelly, chefe de gabinete, deixará o cargo neste mês

FolhaPress | 08/12/18 - 16h58 - Atualizado em 08/12/18 - 17h01
O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com o chefe de gabinete John Kelly | Reuters

O presidente americano, Donald Trump, anunciou neste sábado (8) que seu chefe de gabinete, John Kelly, 68, deixará o cargo no fim deste mês. Ele é o segundo a passar pelo posto em menos de 24 meses de governo.

O chefe de gabinete, nos EUA, exerce uma função semelhante a de ministro da Casa Civil no Brasil.  "John Kelly está saindo. Eu não sei se posso dizer 'se aposentando'", disse o presidente a jornalistas nos jardins da Casa Branca antes de ir para a Filadélfia, onde assistiria a uma partida de futebol americano entre soldados do Exército e da Marinha. "Mas ele é um cara ótimo. John Kelly vai sair no fim do ano."

Na sexta-feira, o chefe de gabinete, que assumiu o cargo em julho de 2017, não apareceu para trabalhar e não participou de um jantar na noite do mesmo dia. Kelly e Trump se reuniram na Casa Branca, também na sexta à noite, e combinaram os detalhes da saída, que já estava sendo planejada há meses, segundo fontes ouvidas pelo jornal The New York Times.

Trump disse que vai procurar um substituto, mesmo que seja interino, nos próximos dias. Um dos nomes mais fortes que despontam no cenário é o de Nick Ayers, 36, chefe de gabinete do vice-presidente, Mike Pence. 

Ele é um republicano bastante atuante e tem o conhecimento sobre campanhas que o presidente procura. Kelly, militar de carreira antes de se tornar o primeiro secretário de segurança doméstica de Trump, não tinha experiência do tipo. 

Ayers teria dito a Trump que poderia ficar como interino até a primavera setentrional (de março a junho), quando sua família volta para a Geórgia, ainda de acordo com fontes ouvidas pelo Times. Mas Trump quer alguém para assumir o posto definitivamente.

Outros candidatos seriam o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin; o diretor de orçamento da Casa Branca, Mick Mulvaney, e o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer.

A saída do chefe de gabinete deixará o presidente com um círculo de conselheiros próximos ainda mais restrito, enquanto ele tateia na nova estrutura de poder no Congresso a partir de janeiro, quando os democratas assumirem o controle da Câmara dos Deputados –os republicanos mantiveram maioria no Senado.

Não é incomum que presidentes façam mudanças em seus quadros de assessores após as eleições de meio mandato presidencial. Um dia após o resultado ruim na Câmara dos Deputados, Trump demitiu o então secretário de Justiça, Jeff Sessions.

O republicano já tinha ameaçado diversas vezes demitir Sessions, avaliando que ele não se esforçava para deter as investigações do procurador especial, Robert Mueller, sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.

Mas o presidente dizia que Kelly ficaria para participar da campanha pela reeleição, em 2020. O chefe de gabinete, entretanto, era franco com algumas pessoas na Casa Branca e dizia que planejava ficar apenas até as chamadas "midterms". Kelly foi escolhido por Trump para colocar ordem na Casa Branca. Nos últimos tempos, ambos teriam demonstrado atritos. O presidente afirmava que o chefe de gabinete estava escondendo coisas dele, e frequentemente chamava a atenção por coisas que ele fazia.