Pesquisadores observaram tubarões-das-galápagos utilizando raias-manta como uma forma de coçar o corpo e remover parasitas, um comportamento registrado em três locais do arquipélago de Revillagigedo, no México, entre 2024 e 2026.
Oito encontros entre tubarões e raias-manta foram documentados, revelando que as raias reagiam de forma diferente dependendo do tamanho do tubarão, com juvenis sendo mais tolerantes e adultos tentando escapar.
Os cientistas acreditam que essa interação pode ser uma estratégia alternativa para os tubarões, que normalmente utilizam estações de limpeza, mas enfrentam competição por esses serviços, levando-os a buscar novas soluções para lidar com parasitas.
Todo mundo sabe o quão irritante pode ser uma coceira em um lugar difícil de alcançar. Para os tubarões-das-galápagos, a solução encontrada foi um tanto criativa: usar raias-manta como uma espécie de “coçador” natural.
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Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, pesquisadores observaram, em três pontos de mergulho diferentes no arquipélago de Revillagigedo, no México, tubarões esfregando partes do corpo nas superfícies superior e inferior de raias-manta. O comportamento chamou atenção dos cientistas por parecer uma estratégia para remover parasitas presentes em regiões difíceis para coçar.
Ao todo, oito encontros desse tipo foram registrados por dois grupos independentes de pesquisadores. As observações foram publicadas em 1º de abril e 7 de maio nas revistas científicas Marine Biodiversity e Environmental Biology of Fishes, respectivamente.
As raias-manta, conhecidas por seu comportamento pacífico e por terem poucos mecanismos de defesa além do próprio tamanho, reagiram de maneiras diferentes dependendo do porte do tubarão que queria uma coçadinha. Quando os tubarões eram juvenis, as raias pareciam tolerar a interação, reagindo apenas com pequenos movimentos. Já na presença de indivíduos adultos, elas frequentemente tentavam escapar, girando o corpo para trás e se afastando como forma de evitar uma possível mordida.
Apesar disso, os pesquisadores acreditam que o objetivo dos animais não era atacar. As observações mostraram que eles esfregavam principalmente o focinho e a região das brânquias (guelras) — áreas conhecidas por acumular piolhos-do-mar. Isso indica que as raias estavam sendo utilizadas como “coçadores” gigantes.
Segundo Mauricio Hoyos, diretor da organização de conservação marinha Pelagios Kakunjá e coautor de um dos estudos, os tubarões parecem se beneficiar da textura da pele das raias. “Os tubarões sabem que a superfície da raia-manta é como lixa, então é uma boa superfície para remover esses parasitas”, afirmou, em entrevista à Scientific American.
A explicação está na anatomia da pele desses animais. Tanto os tubarões quanto as raias-manta possuem dentículos dérmicos, pequenas estruturas semelhantes a dentes que deixam a superfície áspera e rugosa.
Normalmente, quando enfrentam problemas com parasitas, os tubarões recorrem às chamadas estações de limpeza, locais onde pequenos peixes removem organismos indesejados da pele de animais maiores. No entanto, essas áreas podem ficar disputadas. Para Hoyos, a competição por esse serviço de limpeza pode incentivar alguns tubarões a adotarem estratégias alternativas.
Cientistas ainda não sabem como os tubarões aprenderam essa técnica. Uma das hipóteses é que eles tenham se inspirado ao observar peixes menores se esfregando em outros animais para eliminar parasitas e coceiras. Outra possibilidade seria que alguns indivíduos experimentaram o comportamento por acaso, descobriram que ele funcionava e continuaram a repeti-lo.
Assista abaixo o momento em que tubarões se coçam em raias-manta:
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