Turquia alega "padrões morais" e impede cruzeiro LGBT de atracar em portos

Empresa de eventos afirma que autoridades alegaram "comportamento incompatível com padrões sociais" para a decisão

Publicado em 03/07/2026, às 10h25
Virgin/Divulgação
Virgin/Divulgação

Por CNN Brasil

As autoridades turcas proibiram um cruzeiro LGBTQ+ de atracar em seus portos, citando 'padrões morais' e 'valores familiares', o que resultou na alteração do itinerário da viagem que incluía escalas em Kuşadası e Istambul.

A decisão impacta cerca de 1.100 passageiros americanos e reflete a crescente hostilidade do governo turco em relação à comunidade LGBTQ+, com restrições a eventos como as Paradas do Orgulho desde 2015.

A organizadora do cruzeiro, Atlantis Events, anunciou que o navio agora fará escalas no Cairo e em Creta, enquanto a situação levanta preocupações sobre a discriminação contra turistas com base em sua orientação sexual.

Resumo gerado por IA

As autoridades da Turquia proibiram um cruzeiro voltado para viajantes LGBTQ+ americanos de atracar nos portos do país, alegando "padrões morais" e "valores familiares", afirmou o CEO da empresa de eventos responsável pelo cruzeiro pelo Mediterrâneo, na quinta-feira (02).

O cruzeiro "Atenas a Veneza", com partida da Grécia em 5 de julho, tinha previsão de atracar na vibrante cidade portuária turca de Kuşadası dois dias depois, seguido de uma viagem a Istambul, segundo a Atlantis Events, organizadora da viagem.

Mas, em uma decisão controversa, as autoridades locais da Turquia anunciaram o cancelamento do evento, alegando que o navio – que deveria receber mais de mil passageiros dos Estados Unidos – foi fretado por grupos “conhecidos por comportamentos incompatíveis com os valores da nossa sociedade e com a nossa moral”.

A embarcação, chamada Scarlet Lady, pertence à Virgin Voyages, empresa de cruzeiros apoiada por Richard Branson, segundo o site de monitoramento MarineTraffic. A Atlantis Events informou que o navio agora fará escalas no Cairo, Egito, e na ilha grega de Creta, em vez da Turquia.

O Partido AKP do presidente turco Tayyip Erdogan tem adotado uma retórica cada vez mais agressiva contra a comunidade LGBTQ+ na última década, provocando condenação por parte de grupos de direitos humanos.

As autoridades proibiram as Paradas do Orgulho LGBTQ+ em Istambul desde 2015, alegando preocupações com a segurança pública.

"É bastante surpreendente, para ser honesto. Quer dizer, o motivo é que se trata de um grupo gay", disse Rich Campbell, presidente e CEO da Atlantis Events, à CNN, sobre a decisão da Turquia de bloquear as visitas dos cruzeiros.

“É muito preocupante para mim quando um país decide que pode escolher quais turistas podem entrar e quais não”, acrescentou ele.

Campbell afirmou que esta foi a primeira vez em 36 anos que a empresa foi “ativamente informada de que talvez não possamos estar aqui por causa de quem somos”.

A CNN entrou em contato com o Ministério da Cultura e Turismo da Turquia, a embaixada turca em Washington e a Virgin Voyages para obter comentários.

Aproximadamente 1.100 dos 1.900 passageiros esperados na viagem são dos Estados Unidos, segundo Campbell. Os demais viajantes são do Reino Unido, Canadá e Austrália, entre outros países.

Viagem de dez dias

O site da Atlantis descreve a viagem de dez dias como uma “aventura épica” que permite a “grandes amigos” explorar ilhas do Mediterrâneo, incluindo destinos ensolarados como as ilhas gregas e a Croácia.

Autoridades da província turca de Aydın, onde se localiza o porto de Kuşadası, afirmaram que não há “absolutamente nenhuma possibilidade de o grupo em questão visitar nossa província para um evento dessa natureza”.

Enquanto isso, autoridades em Istambul informaram que a polícia havia realizado uma operação em um bar da cidade depois que um "folheto da Atlantis" divulgou uma festa no local. Campbell afirmou que o folheto não era da Atlantis nem tinha qualquer vínculo com a empresa.

"Não somos uma organização política. Não estamos lá para nada além de gastar dinheiro, nos divertir, fazer passeios e tratar com extremo respeito todas as culturas que visitamos", acrescentou Campbell.

A Atlantis comunicou a notícia aos passageiros na quinta-feira (2), informando que "devido a circunstâncias alheias à nossa vontade, tivemos de alterar os portos do nosso itinerário para excluir as duas escalas na Turquia", uma vez que essas paradas haviam sido canceladas pelas autoridades turcas.

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