Contextualizando

Uma voz em defesa de Fernandes Lima

Em 29 de Maio de 2026 às 08:00

Na próxima quarta-feira, 3 de junho, o médico, escritor e professor Fernando Gomes, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, vai proferir palestra na Academia Alagoana de Letras, que também integra, sobre o tema “Fernandes Lima, abolicionista, tensão dialética”.

Com a palestra, Fernando Gomes entra na polêmica sobre o personagem que foi governador de Alagoas e a quem é atribuída uma perseguição a religiões de matriz africanas e que culminariam com a derrubada de terreiros de candomblé em Maceió, em 1912, episódio conhecido como “Quebra de Xangô”.

No início deste ano, instituições oficiais, como Defensoria Pública e Ministério Público, e lideranças políticas deflagraram campanha para retirada do nome de Fernandes Lima da principal via de acesso a Maceió, por considerarem a homenagem descabida.

Fernando Gomes, que é integrante do IHGAL, entende que essa posição é equivocada, argumentando:

“Fernandes Lima foi o mais étnico, o mais negro dentre todos os governantes que Alagoas teve. Além disso, lutou contra a escravidão, escreveu, foi um intelectual portentoso.”

O historiador explica que, inclusive, Fernandes Lima era amigo de José do Patrocínio, um dos líderes do movimento abolicionista que culminou com a Abolição da Escravatura no Brasil.

Fernando Gomes cita que, na sua postura anti escravidão, Fernandes Lima trouxe a Maceió, para uma palestra, o diplomata, político e escritor Joaquim Nabuco, principal líder e intelectual do movimento abolicionista no Brasil, que até fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão

“Está ocorrendo um grande equívoco, um equívoco histórico importante, que pode configurar um erro que será muito difícil de ser sanado, no presente e no futuro. Estão caracterizando sem ter uma base quanto a isso.”

A palestra de Fernando Gomes sobre Fernandes Lima , aberta ao público (inclusive aos contestadores), às 9 horas da manhã da próxima 4ª feira, 3 de junho, na Casa Jorge de Lima, sede da Academia Alagoana de Letras - Praça Sinimbu, Centro de Maceió.

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