Unicef: 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdo sexual online

Publicado em 06/09/2026, às 14h25
Dados fazem parte de relatório sobre tecnologia e abuso infantil - Foto: Agência Brasil
Dados fazem parte de relatório sobre tecnologia e abuso infantil - Foto: Agência Brasil

Por Agência Brasil

Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes em 21 países foram vítimas de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia em um ano, com 9 milhões sendo forçadas a manter conversas de teor sexual. Esses dados alarmantes foram revelados em um relatório do Unicef, que sugere que o número real pode ser ainda maior devido ao subregistro.

O relatório indica que mais de 40% das vítimas não relataram os abusos, principalmente por não saberem a quem recorrer. As redes sociais, como Facebook e Instagram, foram responsáveis por cerca de 60% dos casos, enquanto 57% dos agressores eram pessoas conhecidas das vítimas.

A pesquisa, que envolveu 21 mil jovens de 12 a 17 anos, destaca a coerção como uma tática comum entre os agressores, com o Brasil apresentando 19% de casos de violência sexual online. O Unicef enfatiza a necessidade urgente de apoio e recursos para ajudar as vítimas a buscar ajuda e denunciar os abusos.

Resumo gerado por IA

Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes de 21 países já sofreram, no período de um ano, algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia. Acredita-se, ainda, que 9 milhões tenham sido induzidas a manter conversas de teor sexual ou compartilhar imagens desse cunho contra sua vontade e que 4 milhões tiveram imagens delas vazadas. O quantitativo de crianças expostas a conteúdo sexual indesejado é estimado em 15 milhões.

Os dados fazem parte do relatório Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil  lançado nesta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). 

Na avaliação dos especialistas do Unicef, contudo, os números devem ser ainda maiores. A explicação é a de que muitas vítimas não chegam a comunicar a ninguém o que aconteceu a elas. 

Mais de 40% das ocorrências informadas durante a coleta de informações não foram reveladas pelas vítimas. O principal motivo para deixarem de contar é não saber aonde ir ou a quem recorrer. 

Redes sociais

Quanto às plataformas digitais com maior número de violações, os dados revelam que, em média, cerca de 60% aconteceu em redes como o Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp.

Cerca de 14% dos crimes ocorreram enquanto as vítimas se divertiam em jogos online. O relatório assinala que o ambiente de jogos online é especialmente propício para o cometimento dessas formas de abuso porque a dinâmica nas relações se baseia em um jogador explorar a confiança do outro.

Mais da metade (57%) dos casos declarados aos pesquisadores envolviam alguém do convívio da criança e do adolescente, incluindo familiares, conhecidos, amigos, namorados e namoradas. O dado contraria o imaginário de que a violência online é perpetrada principalmente por estranhos.

Ao mesmo tempo, ressalta o relatório, 38% das vítimas encontraram seus agressores pela primeira vez na internet, indicativo de que contas fake e o envio de mensagens privadas facilitam as violações. 

"Essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda. Nós não podemos ignorar isso", afirmou a diretora-executiva do Unicef Catherine Russell.

Coerção

O relatório foi produzido a partir das percepções de 21 mil crianças e adolescentes com idade entre 12 e 17 anos, provenientes de 21 países, entre 2020 e 2025. Nas entrevistas realizadas com os participantes, observou-se como agressores exercem poder sobre as vítimas não somente as convencendo a agir de determinadas maneiras mediante presentes, dinheiro e atenção, mas também por meio da coerção. 

Uma jovem brasileira relatou como seu agressor a chantageou, ameaçando encaminhar à mãe dela mensagens anteriores trocadas entre os dois, caso ela não mandasse a ele mais uma foto. Outra entrevistada comentou que, por anos, vasculhou a internet para garantir que nenhuma imagem sua, inclusive criada como montagem, estivesse circulando sem seu consentimento. O Brasil teve 19% dos entrevistados marcados por este tipo de violência, o equivalente a quase 3 milhões de crianças e adolescentes, e uma parcela de menos de 1% de ocorrências denunciadas. 

A internet respondeu por 55,5% dos casos brasileiros e a escola por 24,5%. Como os canais mais perigosos apareceram os aplicativos de mensagens e as redes sociais (66,5%), com destaque para Instagram (57,2%) e WhatsApp (52,1%). Os jogos online responderam por 12,3%. 

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