Nordeste

Urubu pousa em piloto durante voo de parapente em serra do Ceará e vídeo viraliza

g1 | 08/06/22 - 12h56

O instrutor de mergulho e kitesurf Ricardo Guimarães filmou os momentos em que um urubu pousou nas costas e nas pernas deles durante um voo de parapente, no Ceará. Os vídeos foram feitos próximo à Serra de Aratanha, em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza. Apesar do registro inusitado, o animal não é estranho ao piloto.

O urubu que aparece nos vídeos é o “Urú”, ave criada por um amigo de Ricardo. O instrutor disse que conhece o animal desde pequeno, já que ele foi resgatado ainda muito novo pelo amigo, Israel Mendes (conhecido como Pacaroots), que é ambientalista e também piloto de parapente.

Veja vídeo:

Apesar de conhecer a ave, o pouso do animal no piloto não foi algo que ele esperava. “Não foi algo planejado e foi acontecendo aos poucos a aproximação dele. Ele é um urubu resgatado por um amigo, bem novinho mesmo, acho que com algumas semanas. Desde então, ele cuidou dele”, comentou Ricardo.

“Eu já tinha voado duas vezes com ele, mas foi na terceira que ele pousou em mim, nas costas; ele ficou se acostumando. Na quarta vez ele já pousou na minha perna. Às vezes, ele não estava na rampa, mas eu começava a voar e ele me encontrava no ar”, explicou o instrutor.

Israel adotou o Urú com uma semana de vida, após o animal ser resgatado pelo Instituto Pró Silvestre. A ave foi encontrada por um morador da região do Parque do Cocó, em Fortaleza. Como as autoridades não conseguiram identificar o ninho, não havia possibilidade do animal se adaptar à natureza, então precisava ir para a adoção. Então, um biólogo da capital conseguiu mediar o processo de oficialização da tutoria.

“Eu era louco para voar com uma ave planadora, porque eu sou ambientalista aventureiro e piloto de parapente. Então, o Sanjay (Veiga, biólogo) entrou em contato e eu disse que queria adotá-lo. Quando ele contou a história do Urú, eu até me arrepiei inteiro, me emocionei bastante”, comentou o tutor do urubu.

O ambientalista contou que levou a ave, que hoje tem sete meses, para várias atividades na natureza, principalmente quando da prática de parapente, para que o animal se adaptasse. O tutor disse que treinou o animal também para obedecer a comandos de apitos e à voz dele.

“Quando eu comecei a levá-lo, ele não pousava em todo mundo. Ele ficava mais próximo só dos que conversavam mais comigo, mas tem uns que ele não gosta de jeito nenhum. Ele começou a pousar ‘nos mais chegados’, que só são dois, eu acho, o Ricardo e o Rafael”, complementou Israel.

Relação com o urubu

Ricardo mora em Jericoacoara, litoral oeste do Ceará, mas vai costumeiramente à Pacatuba por conta da prática de parapente. “Eu sempre vou voar umas duas vezes por mês em Pacatuba. Então, sempre tive esse contato, desde que ele [Urú] era novinho. Quando a gente pousava, ele ficava por perto, vendo as velas e se acostumando com todo mundo. Então, ele foi criado com bastante gente em volta”, explica o instrutor.

“Muitas vezes o Rael está trabalhando, porque ele trabalha em dia da semana normalmente, mas ainda assim o Urú saía da casa dele e andavam uns 10 km até a montanha. Era comum não ter ninguém nos dias que eu voava, então ele parava na rampa e ficava se aproximando, às vezes, eu passava a mão nele”, lembrou Ricardo, a rampa a qual ele se refere é a de voo livre da Munguba.

“O primeiro vídeo que eu fiz ele não pulou em mim, nada disso. Ele, aos poucos, foi pegando intimidade comigo porque eu não tive muito contato com ele junto ao Rael”, disse Ricardo.

O piloto de parapente contou também que, em determinado dia, o animal já estava esperando por eles na trilha, que leva cerca de 15 minutos entre o lugar onde eles estacionam o carro e o ponto aonde eles partem para o voo.

Crescimento com o tutor

Após o resgate da ave, Urú ficou sob responsabilidade do Batalhão de Polícia Ambiental do Ceará enquanto Israel finalizava o processo de fiel depositário do animal. Após essa etapa, o ambientalista precisou ser aconselhado pelo biólogo Sanjay Veiga sobre como cuidar da ave, por conta das especificidades no trato de um urubu.

“Ele foi crescendo e eu fui alimentando, com carne fresca de gado ou frango. Ele não come nenhum tipo de carniça”, explicou o tutor. Israel revelou, inclusive, que trata o animal como um filho, e já até chegou atrasado no trabalho porque precisa sair escondido de casa, senão Urú sai voando atrás dele. O animal, inclusive, possui um perfil nas redes sociais com quase dez mil seguidores.

“Ele foi crescendo comigo, quando eu ia para a rampa de parapente, eu levava ele comigo em uma caixa, para ele ir vendo o movimento dos equipamentos decolando. Depois, descia para o pouso para ele ver todo o processo”, destacou Israel.

Ele considera que todo esse processo de adaptação foi fundamental para o desenvolvimento do animal, e também para reforçar o laço entre ambos. “Eu passei muito tempo ‘preso’, sem sair de casa até para trabalhar em cantos mais afastados da minha cidade”, disse o condutor de aventuras na serra da Aratanha.