Veja em que idade engordar pode trazer mais riscos à saúde

Publicado em 24/04/2026, às 20h55
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Por Galileu

Um estudo da Universidade de Lund revela que ganhar peso na juventude aumenta significativamente o risco de morte prematura, destacando a idade adulta como um período crítico para a saúde. Indivíduos que se tornaram obesos entre 17 e 29 anos têm 70% mais chances de falecer durante o acompanhamento em comparação com aqueles que não desenvolveram obesidade antes dos 60 anos.

A pesquisa, que analisou dados de mais de 600 mil pessoas, sugere que a exposição prolongada aos efeitos biológicos do excesso de peso, como inflamação crônica e resistência à insulina, pode ser a causa do aumento do risco de mortalidade. Doenças cardiovasculares foram as mais associadas às mortes, embora o risco de câncer em mulheres não tenha mostrado variação significativa conforme o momento do ganho de peso.

Os pesquisadores enfatizam a importância de intervenções precoces para prevenir a obesidade, considerando o estudo uma mensagem relevante para políticas de saúde pública. Apesar de limitações, como a não consideração de fatores como dieta e atividade física, os achados reforçam a necessidade de ações para evitar o ganho de peso na juventude, visando melhorar a saúde e a longevidade da população.

Resumo gerado por IA

O impacto do ganho de peso sobre a saúde não depende apenas de quanto se engorda ao longo da vida, mas também do momento em que isso acontece. Um estudo de larga escala conduzido por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, aponta que o início da idade adulta é o período mais crítico: ganhar peso cedo está associado a um risco significativamente maior de morte prematura no futuro.

A análise reuniu dados de mais de 600 mil pessoas, acompanhados entre os 17 e os 60 anos, com múltiplas medições de peso ao longo do tempo, de forma a observar trajetórias reais de mudança corporal ao longo de décadas, em vez de depender de relatos retrospectivos dos participantes. Detalhes da pesquisa foram compartilhados em um artigo publicado no dia 10 de abril na revista eClinicalMedicine.

“Nossa descoberta mais consistente é que o ganho de peso em uma idade mais jovem está associado a um risco maior de morte prematura na velhice”, afirma Tanja Stocks, epidemiologista e uma das autoras do estudo, em comunicado. “Isso em comparação com pessoas que ganham menos peso.”

Os resultados mostram que indivíduos que desenvolveram obesidade entre os 17 e os 29 anos tiveram cerca de 70% mais chances de morrer durante o período de acompanhamento, em comparação com aqueles que não se tornaram obesos antes dos 60 anos.

Em termos práticos, isso significa que, se 10 em cada 1.000 pessoas sem obesidade precoce morreram ao longo do estudo, esse número sobe para cerca de 17 entre aqueles que ganharam peso mais cedo.

Padrão claro ao longo da vida adulta

A explicação mais provável, segundo os pesquisadores, está na exposição prolongada aos efeitos biológicos do excesso de peso. “Uma possível explicação para o maior risco em pessoas com início precoce de obesidade é o período mais longo de exposição aos efeitos biológicos do excesso de peso”, explica Huyen Le, primeira autora do trabalho.

Tal “tempo acumulado” sob condições como inflamação crônica, resistência à insulina e alterações metabólicas pode aumentar o desgaste do organismo e favorecer o surgimento de doenças graves ao longo dos anos, destaca o portal Science Alert.

Doenças associadas

O estudo analisou tanto a mortalidade geral quanto mortes associadas a doenças ligadas à obesidade, como problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e diversos tipos de câncer. As doenças cardiovasculares — incluindo infarto e AVC — foram responsáveis pela maior parte das associações observadas.

No entanto, nem todos os resultados seguiram o mesmo padrão. Entre as mulheres, o risco de morte por câncer não variou de forma significativa conforme o momento do ganho de peso. Isso sugere que outros fatores, além da duração da obesidade, podem desempenhar um papel relevante.

“O risco foi praticamente o mesmo, independentemente de quando o ganho de peso ocorreu”, afirma Le. “O fato de isso não acontecer sugere que outros mecanismos biológicos também podem desempenhar um papel no risco de câncer e na sobrevida em mulheres.”

Implicações do estudo

Um dos principais pontos centrais do estudo é o uso de medições objetivas de peso, muitas delas realizadas em contextos clínicos, o que aumenta a confiabilidade dos resultados. “A predominância de medições de peso objetivas em nosso estudo contribui para resultados mais confiáveis e robustos”, aponta Stocks.

Ainda assim, há limitações. Fatores como dieta e atividade física não foram considerados, embora sejam conhecidos determinantes da saúde e do risco de mortalidade. Além disso, o estudo não prova causalidade direta — ou seja, não é possível afirmar que o ganho de peso precoce seja o único responsável pelas mortes observadas.

Mesmo com essas ressalvas, os pesquisadores destacam que o padrão identificado é consistente e relevante para a saúde pública. Em um contexto descrito por especialistas como “sociedade obesogênica”, em que o ambiente favorece hábitos pouco saudáveis, os achados reforçam a importância de intervenções precoces.

“Este estudo envia uma mensagem importante aos tomadores de decisão e políticos sobre a importância da prevenção da obesidade”, observa Stocks. Evitar o ganho de peso desde o início da vida adulta pode ter efeitos duradouros na redução de doenças e na longevidade.

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