Polícia

Vídeo mostra depoimento da mãe de Danilo Almeida acusando delegados de tortura psicológica

Redação TNH1 | 21/10/19 - 12h20 - Atualizado em 21/10/19 - 16h23

Após serem ouvidos pela polícia na madrugada do último dia 16, Darcinéia Almeida, mãe do garoto Danilo Almeida, assassinado no último dia 11,; e José Roberto, padrasto, procuraram a Defensoria Pública do Estado acusando a equipe da Polícia Civil de tortura psicológica. No final de semana, o vídeo com o depoimento à Defensoria vazou, onde Darcineia acusa dois delegados, Bruno Emílio e Fábio Costa, de tortura psicológica.

Visivelmente agitada, no vídeo, que você assiste abaixo, Darcinéia identifica, por fotos, os dois delegados como os homens que teriam a torturado psicologicamente durante o depoimento. Ela chega a afirmar que Costa a teria ameaçado com choques elétricos caso ela não confessasse que o esposo dela teria assassinado Danilo.

"Ele ficava dizendo: confesse, confesse que foi o seu marido. Ele já confessou o crime, agora falta você. E eu disse: moço, pelo amor de Deus, eu sou inocente; ele é inocente", diz Darcinéia, se referindo ao que supostamente teria falado o delegado Bruno Emílio. 

No dia seguinte ao depoimento, a Defensoria Pública anunciou pedido de afastamento da equipe policial encarregada pela investigação da morte do garoto. O pedido foi encaminhado ao Conselho Estadual de Segurança (Conseg) e à Corregedoria de Polícia Civil de Alagoas. Segundo o defensor Marcelo Arantes, chefe do Núcleo Criminal da Defensoria Pública do Estado (DPE), o casal só voltaria a dar depoimento na presença da Defensoria Pública.

Delegado diz que denúncia é “descabida”

Na manhã desta segunda-feira, 21, após o vazamento do vídeo, o delegado Fábio Costa emitiu nota negando as acusações, onde classifica a denúncia de 'descabida' e que está certo de que o crime será esclarecido”. Leia a nota na íntegra.

Acerca da denúncia veiculada hoje a meu respeito nego por completo a prática de qualquer tipo de tortura física ou psicológica. A denúncia perpetrada pela genitora da vítima é descabida, notadamente porque não faz parte do modelo de conduta adotado por mim durante o exercício do mister policial. Sempre prezei pela legitimidade e lisura em todos os atos investigativos, de modo que preferimos manter o foco na investigação desse crime bárbaro cometido contra uma criança de apenas 07 (sete) anos, a ter que travar um embate desnecessário contra acusações indevidas. Estou certo que identificaremos e prenderemos o(s) autor(es) deste crime”, diz o delegado em texto enviado à imprensa.

Já o delegado Bruno Emílio ainda não se pronunciou sobre o vídeo. 

Em nota emitida no dia 16, a Polícia Civil havia negado as acusações e explicou que o segundo depoimento da mãe e do padrasto do garoto foi uma solicitação da psicóloga. Leia. 

"A direção da PC afirma que "qualquer desvio conduta na institução são devidamente apuradas, desde que comunciadas oficialmente" e que possuiu canais internos para esse tipo de denúncia.  (…)

Adianta ainda que a mãe e o padrasto do menino Danilo Almeida, de 7 anos, foram encaminhados à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) a pedido da psicóloga que ouvia o irmão gêmeo do garoto morto, pois ela queria ter a contextualização mais ampla das pessoas que tinham uma relação mais próxima com a vítima".

O TNH1 não conseguiu contato com a Corregedoria da PC para saber se as suspeitas contra os delegados serão investigadas.

Problemas psiquiátricos

Durante entrevista coletiva no dia 17, a equipe de delegados afirmou à imprensa que havia o indicativo de que a mãe Darcineia Almeida teria problemas psiquiátricos.”Não temos um laudo psiquiátrico, mas vendo as entrevistas, vocês [imprensa] terão a nítida impressão de que ela sofre de algum problema. Inclusive ela faz uso de medicação, e fez uso na nossa frente", disse o delegado Fábio Costa ao TNH1.

O TNH1 ainda não conseguiu ouvir Darcinéia sobre supostos problemas de sanidade mental. 

Defensoria condena vazamento e evita comentar teor de acusações

Ouvida pelo TNH1, a Defensoria se manifestou por meio de nota. A instituição criticou o vazamento do vídeo, e que não iria comentar o teor das imagens. Como de praxe, o depoimento de Darcinéia foi colhido e encaminhado aos órgãos competentes. 

Leia a nota na íntegra.

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas lamenta e condena o vazamento acerca do depoimento relatado pelo casal José Roberto Morais e Darcinéia Almeida - padrasto e mãe do garoto Danilo, de 7 anos, brutalmente assassinado no último dia 11, algo que foi coletado em sigilo absoluto e encaminhado a diversas autoridades em envelopes lacrados na última semana. Ao mesmo tempo em que, sobre o conteúdo das gravações dos depoimentos dos mesmos, não fará qualquer comentário, a fim de não atrapalhar a apuração das denúncias ali contidas por parte dos órgãos encarregados e, muito menos, fará juízo de valor diante dos depoimentos prestados pelo casal.

Vale ressaltar que um ofício, contendo gravações dos depoimentos, foi encaminhando à Delegacia-Geral da Polícia Civil de Alagoas, Corregedoria da Polícia Civil, Conselho de Segurança, Promotoria do Controle Externo da Atividade Policial, Procurador-Geral de Justiça, Secretário de Segurança Pública, Presidente do Tribunal de Justiça e Governador do Estado.

À Delegacia-Geral, a Defensoria Pública pediu que toda a equipe envolvida – delegados e investigadores - com o caso, até agora, fosse afastada, para não existir dúvidas quanta às investigações do brutal assassinato do garoto Danilo Almeida, e qualquer nova oitiva do casal somente se dê com a presença da DPE
”, diz o texto.