Uma estrada de terra em Richmond, no estado americano do Maine, esconde cerca de 20 mil pneus usados sob a superfície desde 1992.
O experimento, conduzido pela engenheira civil Dana Humphrey, da Universidade do Maine, buscava resolver dois problemas ao mesmo tempo: os buracos causados pelo ciclo de congelamento e degelo do solo no inverno e o acúmulo de pneus descartados no estado.
Como os pneus foram usados
Os pneus foram triturados em pedaços de 5 a 7,5 centímetros e distribuídos ao longo de cerca de 183 metros da Dingley Road, formando uma camada de 15 a 30 centímetros de espessura.
Por cima, os engenheiros colocaram várias camadas de cascalho, recriando a superfície convencional da estrada.
A borracha é mais leve que o cascalho, o que reduz a pressão sobre o solo, funciona como isolante térmico e ainda melhora a drenagem da água pelos espaços entre os fragmentos.
O relatório técnico publicado por Humphrey e pelo pesquisador do Exército americano Robert A. Eaton em 1995, no entanto, trouxe números mais moderados: ao longo de dois invernos, as camadas mais espessas de pneus reduziram a profundidade do congelamento entre 15% e 37%, enquanto as seções mais finas tiveram redução de 22% a 28%.
Nos trechos mais bem isolados, o levantamento do solo causado pelo gelo chegou a apenas 10 milímetros, contra 91 milímetros nas áreas sem o tratamento. Moradores das 29 casas e duas fazendas que dependem da via notaram menos lama e menos buracos ao longo dos anos seguintes.
Por que a técnica não pegou
Apesar dos resultados, enterrar camadas espessas de pneus triturados sob estradas não virou prática comum nos Estados Unidos.
Em outros projetos semelhantes, como um realizado no Colorado, engenheiros registraram um aquecimento inesperado dentro do aterro de pneus ao longo do tempo, hipótese ainda não totalmente explicada e associada à oxidação das cintas de aço presentes nos pneus ou à decomposição química da borracha.
O caso é diferente do uso de borracha moída diretamente na composição do asfalto, técnica consolidada e amplamente usada até hoje.
Ainda assim, os pesquisadores do Maine seguem monitorando o trecho de Richmond e já avaliam novos usos para pneus triturados, como material de enchimento leve em muros de contenção e uma nova aplicação sob uma estrada pavimentada em North Yarmouth, para testar o comportamento do material sob o tráfego de veículos pesados.





