A Assembleia Geral da ONU aprovou, nesta sexta-feira (4), a resolução “Corrija o Mapa”, que incentiva o uso de mapas-múndi que representem com mais fidelidade o tamanho real de África, América do Sul e Sul da Ásia. A votação teve 164 votos a favor, apenas um contrário, dos Estados Unidos, e seis abstenções.

O que a resolução muda
Apesar do nome, o texto não altera a forma real dos continentes nem redesenha fronteiras: o que muda é a projeção cartográfica recomendada para representar o planeta. A resolução não é juridicamente vinculante e não proíbe o uso da projeção de Mercator, que segue considerada adequada para navegação marítima e aérea.
O documento incentiva governos, organismos internacionais, escolas e empresas a adotarem, quando a comparação proporcional entre territórios for relevante, projeções de área equivalente, como a Equal Earth, criada em 2018.

Por que a projeção de Mercator distorce o mapa
Criada em 1569 pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator para auxiliar a navegação, a projeção preserva ângulos e direções, o que a tornou padrão em bússolas e rotas marítimas. O efeito colateral é que ela amplia visualmente as áreas mais distantes da linha do Equador.
Na prática, países e continentes ao norte e ao sul aparecem maiores do que realmente são, enquanto regiões próximas ao Equador, como a África, a América do Sul e o Sul da Ásia, ficam sub-representadas. O exemplo mais citado é a comparação entre a Groenlândia e a África: no mapa de Mercator, as duas parecem ter tamanho parecido, mas o continente africano é cerca de 14 vezes maior na realidade.
A proposta foi apresentada pelo Togo em nome do Grupo Africano, com o apoio da União Africana e a coautoria das Bahamas. A União Africana já havia adotado oficialmente a projeção Equal Earth como referência cartográfica institucional em março deste ano, depois de uma campanha internacional que ganhou força a partir de agosto de 2025.
Antes da votação, o chanceler togolês Robert Dussey discursou na Assembleia dizendo que a aprovação demonstra o compromisso da ONU com a “verdade científica” e reforça a dignidade dos povos historicamente sub-representados. Segundo ele, a discussão vai além da geometria dos mapas: trata-se de corrigir uma percepção que se perpetuou por séculos.





