Para trabalhadores que vivem com um salário mínimo nos dias atuais, equilibrar as contas se tornou um verdadeiro desafio. E segundo um estudo analítico conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), existe um gasto que contribui massivamente para este cenário.
Trata-se do investimento em transporte público que, de acordo com a análise dos especialistas, corresponde a um gasto mensal de cerca de R$ 260 para moradores de Brasília, comprometendo, assim, por volta de 18,4% do salário mínimo.
Anualmente, a despesa pode chegar a R$ 3.120. E por se tratar de uma escolha que não pode ser contornada por grande parte da população trabalhadora, ela atua como um fator de rigidez orçamentária, reduzindo seu poder de compra e capacidade de investimento.
As projeções dos pesquisadores foram baseadas no cruzamento de dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade Urbana (Pemob 2024), coordenada pela Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e de operadoras de transporte coletivo das 27 capitais brasileiras e respectivas regiões metropolitanas.
Estudo reforça a importância da “tarifa zero”
Conforme destacado pelo portal Metrópoles, a principal conclusão do estudo aponta que a implementação de iniciativas como a tarifa zero funcionam não apenas como uma diretriz de mobilidade urbana, mas também como um instrumento estratégico de distribuição de renda.
Isso porque a gratuidade do transporte público pode aliviar o orçamento das classes socialmente vulneráveis e, com isso, direcionar mais recursos para investimentos familiares estratégicos e para o fortalecimento de economias locais.
De acordo com as projeções dos pesquisadores da UnB, a implementação integral da tarifa zero no Distrito Federal já apresenta potencial de redistribuir anualmente cerca de R$ 2,78 bilhões para a população de menor poder aquisitivo, o que já garantiria mais qualidade de vida.
Os debates sobre a gratuidade no transporte público avançam no cenário nacional, com foco na viabilização regulatória do modelo em grandes centros urbanos. Apesar dos desafios econômicos e de organização que o projeto ainda enfrenta, governos e especialistas analisam meios para colocar a estratégia em prática o quanto antes.





