O planeta enfrenta, ao mesmo tempo, uma sequência de eventos climáticos extremos que deixam cicatrizes profundas em diferentes continentes.
Enchentes devastam o Sul do Brasil, o frio recorde congela a Patagônia, ondas de calor sufocam a América do Norte, incêndios consomem a Europa e tremores de terra ceifam vidas na Ásia.
Tudo ocorre quase em paralelo, levando pesquisadores a questionar se há um elo comum entre fenômenos que parecem desconectados.
Calor, tempestades e secas acontecem ao mesmo tempo e cientistas explicam o que está por trás
Para quem já passou por desastres climáticos, cada temporal aviva feridas ainda abertas.
Chuva forte continua provocando dor de cabeça, insônia e um medo que se reacende a cada aviso de temporal no Rio Grande do Sul.
Neste inverno, novos dias de precipitação intensa trouxeram de volta os alagamentos e as cheias, embora em escala menor.
Cerca de 500 famílias ainda vivem em moradias temporárias dois anos após aquela tragédia que deixou quase 200 mortos e desalojou milhares em centenas de municípios gaúchos.
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul, o episódio de 2024 segue sendo tratado como um marco na relação do Estado com desastres climáticos.
Enquanto o Sul do Brasil ainda lidava com os efeitos das enchentes, a Patagônia argentina registrava temperaturas próximas de -25°C, com rios congelados e recordes de frio para a região.
Do outro lado do globo, Estados Unidos e Canadá enfrentavam uma onda de calor típica de verão no Hemisfério Norte, com sensação térmica próxima de 40°C em centros urbanos.
A combinação de altas temperaturas, seca prolongada e ventos fortes alimentou incêndios florestais em Espanha, Portugal, Grécia e Itália.
Na Europa Ocidental, o verão de 2026 foi o mais quente já registrado. A França, em particular, viu o período mais quente desde o início das medições, em 1900.
Entre junho e agosto, a temperatura média na França atingiu 24°C, quase 1°C acima do recorde anterior, de 2003, enquanto 53 dias tiveram condições de onda de calor.
Marcas acima de 40°C atingiram 45% do território em algum momento da estação.
Dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus confirmam esse padrão de picos de calor cada vez mais longos e intensos.
Tremores de terra deixaram milhares de mortos e dezenas de milhares de desaparecidos na Colômbia e na Venezuela.
No Japão, porém, abalos de magnitude semelhante causaram menos vítimas graças à infraestrutura preparada do país para esse tipo de evento.
Em 26 de agosto, e um colapso de gelo e rocha em uma região de alta montanha gerou uma onda de detritos que atingiu o Nepal e o Tibete, deixando mais de 1.350 mortos e mais de 5.000 desaparecidos.
Foi um dos desastres mais graves já registrados nessas áreas montanhosas.
Existe uma origem comum entre esses fenômenos?
Cada fenômeno tem uma explicação própria: alguns resultam de processos meteorológicos, outros de dinâmicas geológicas que não se conectam diretamente ao clima.
O movimento das placas tectônicas, por trás dos eventos sísmicos, segue leis físicas distintas das que regem ondas de calor ou tempestades.
Ainda assim, o acúmulo de recordes térmicos ao redor do globo chama atenção de climatologistas.
Para o climatologistas, os últimos cinco anos concentram marcas de temperatura que não se repetiam com essa frequência antes.
O aumento da temperatura média do planeta cria condições mais propícias para extremos de calor, embora nem todo evento isolado tenha a mesma causa.
Uma parcela relevante do que se vê hoje já era esperada por projeções climáticas da década passada.
Dados da NOAA e do Instituto Nacional de Meteorologia têm sido usados para monitorar essas variações térmicas ao longo dos anos.
Projeções indicam que até 2050 o padrão de eventos extremos deve se intensificar, com reflexos que já aparecem em estimativas para 2040.





