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Calor, tempestades e secas acontecem ao mesmo tempo e cientistas explicam o que está por trás

Por Jeferson da Rosa
14/09/2026
Calor tempestades secas acontecem tempo

Calor, tempestades e secas acontecem ao mesmo tempo e cientistas explicam o que está por trás - Imagem: Pixabay

O planeta enfrenta, ao mesmo tempo, uma sequência de eventos climáticos extremos que deixam cicatrizes profundas em diferentes continentes.

Enchentes devastam o Sul do Brasil, o frio recorde congela a Patagônia, ondas de calor sufocam a América do Norte, incêndios consomem a Europa e tremores de terra ceifam vidas na Ásia. 

Tudo ocorre quase em paralelo, levando pesquisadores a questionar se há um elo comum entre fenômenos que parecem desconectados.

Calor, tempestades e secas acontecem ao mesmo tempo e cientistas explicam o que está por trás

Para quem já passou por desastres climáticos, cada temporal aviva feridas ainda abertas.

Chuva forte continua provocando dor de cabeça, insônia e um medo que se reacende a cada aviso de temporal no Rio Grande do Sul.

Neste inverno, novos dias de precipitação intensa trouxeram de volta os alagamentos e as cheias, embora em escala menor. 

Cerca de 500 famílias ainda vivem em moradias temporárias dois anos após aquela tragédia que deixou quase 200 mortos e desalojou milhares em centenas de municípios gaúchos.

Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul, o episódio de 2024 segue sendo tratado como um marco na relação do Estado com desastres climáticos.

Enquanto o Sul do Brasil ainda lidava com os efeitos das enchentes, a Patagônia argentina registrava temperaturas próximas de -25°C, com rios congelados e recordes de frio para a região. 

Do outro lado do globo, Estados Unidos e Canadá enfrentavam uma onda de calor típica de verão no Hemisfério Norte, com sensação térmica próxima de 40°C em centros urbanos.

A combinação de altas temperaturas, seca prolongada e ventos fortes alimentou incêndios florestais em Espanha, Portugal, Grécia e Itália. 

Na Europa Ocidental, o verão de 2026 foi o mais quente já registrado. A França, em particular, viu o período mais quente desde o início das medições, em 1900.

Entre junho e agosto, a temperatura média na França atingiu 24°C, quase 1°C acima do recorde anterior, de 2003, enquanto 53 dias tiveram condições de onda de calor. 

Marcas acima de 40°C atingiram 45% do território em algum momento da estação.

Dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus confirmam esse padrão de picos de calor cada vez mais longos e intensos.

Tremores de terra deixaram milhares de mortos e dezenas de milhares de desaparecidos na Colômbia e na Venezuela. 

No Japão, porém, abalos de magnitude semelhante causaram menos vítimas graças à infraestrutura preparada do país para esse tipo de evento.

Em 26 de agosto, e um colapso de gelo e rocha em uma região de alta montanha gerou uma onda de detritos que atingiu o Nepal e o Tibete, deixando mais de 1.350 mortos e mais de 5.000 desaparecidos. 

Foi um dos desastres mais graves já registrados nessas áreas montanhosas.

Existe uma origem comum entre esses fenômenos?

Cada fenômeno tem uma explicação própria: alguns resultam de processos meteorológicos, outros de dinâmicas geológicas que não se conectam diretamente ao clima.

 O movimento das placas tectônicas, por trás dos eventos sísmicos, segue leis físicas distintas das que regem ondas de calor ou tempestades. 

Ainda assim, o acúmulo de recordes térmicos ao redor do globo chama atenção de climatologistas.

Para o climatologistas, os últimos cinco anos concentram marcas de temperatura que não se repetiam com essa frequência antes.

O aumento da temperatura média do planeta cria condições mais propícias para extremos de calor, embora nem todo evento isolado tenha a mesma causa. 

Uma parcela relevante do que se vê hoje já era esperada por projeções climáticas da década passada.

Dados da NOAA e do Instituto Nacional de Meteorologia têm sido usados para monitorar essas variações térmicas ao longo dos anos. 

Projeções indicam que até 2050 o padrão de eventos extremos deve se intensificar, com reflexos que já aparecem em estimativas para 2040.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão.

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