Ao dar descarga liberamos no ar micropartículas que podem conter vírus e bactérias, e fechar a tampa antes de acionar não impede completamente essa dispersão.
Esta conclusão vem de uma revisão publicada na revista Science of the Total Environment, conduzida por pesquisadores da Universidade Flinders, na Austrália.
As partículas liberadas pela descarga podem ficar suspensas no ar por até 20 segundos e carregam microrganismos que variam conforme o que está presente na água do vaso, incluindo a bactéria Legionella, o vírus influenza e o norovírus.
“Quanto maior a quantidade de micróbios presentes no vaso, maior a probabilidade de liberação de bioaerossóis. Portanto, descargas com maior volume geralmente produzem mais aerossóis”, explicou Lira Adiyani, doutoranda da Universidade Flinders e autora principal do trabalho.
A tampa muda a direção, não resolve o problema
A recomendação de fechar a tampa antes de dar descarga circula há anos, mas a revisão mostra que ela não impede a dispersão: apenas redireciona o aerossol, que passa a sair pelas frestas entre a tampa e o vaso, contaminando o piso e as superfícies ao redor em vez de subir verticalmente.
“Com base nas evidências disponíveis, recomendo fechar a tampa como medida de precaução para minimizar a exposição por inalação, reconhecendo, porém, que isso não impede completamente a dispersão de aerossóis”, disse Adiyani.
O que ajuda
Ventilação adequada no banheiro ajuda a dissipar as partículas no ar depois da descarga. Limpeza regular do vaso com desinfetante, e não apenas com escova, reduz a carga de microrganismos disponíveis para serem liberados.
A lavagem das mãos após o uso é outra medida indicada pela equipe.
A coautora do estudo, professora Harriet Whiley, da Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade Flinders, apontou que ainda faltam soluções de engenharia:
“São necessárias mais pesquisas para desenvolver intervenções de design que reduzam os bioaerossóis gerados nos vasos sanitários, principalmente em ambientes de alto risco, como hospitais.” Adiyani também destacou que os micróbios podem vir tanto do uso do vaso quanto da própria água da descarga, o que torna a qualidade da rede hidráulica parte da equação, especialmente em edifícios antigos.





