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Por que o El Niño altera o clima de tantos países e pode ser excepcionalmente forte em 2026

Por Júlio Nesi
15/09/2026
Segundo ciclone de setembro já tem data para atingir o Brasil e todos devem se preparar para tempestades

Imagem meramente ilustrativa. Foto: Arthur Brognoli / Pexels

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou nesta semana que o atual episódio de El Niño está “firmemente estabelecido” e se intensificará até atingir a categoria de “muito forte” nos próximos meses, com efeitos que elevarão o risco de secas, inundações e calor extremo em diferentes partes do planeta ao menos até fevereiro de 2027.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou a gravidade da situação em comunicados: “Apesar do seu nome aparentemente inofensivo, o El Niño tem o potencial de desferir um golpe devastador a comunidades e economias de todo o mundo. Somos testemunhas das perturbações e da devastação causadas por secas e inundações”, disse.

Por que um fenômeno no Pacífico afeta o mundo inteiro?

O El Niño é o aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental. Quando os ventos alísios se enfraquecem, as águas quentes que normalmente ficam retidas no Pacífico ocidental, perto da Indonésia, deslocam-se para leste, alterando a circulação atmosférica global.

Segundo especialistas, é essa alteração que explica o alcance planetário do fenômeno: o calor liberado pelo oceano reorganiza os centros de pressão, desloca a corrente de jato e modifica os regimes de chuva em regiões a milhares de quilômetros de distância.

Na prática, o El Niño funciona como um “interruptor” que muda o padrão climático de boa parte do planeta.

Para o trimestre setembro-novembro de 2026, os modelos da OMM indicam temperaturas superiores à média em quase todas as áreas terrestres do globo, com mudanças específicas de precipitação:

RegiãoEfeito esperado
Sul dos EUA e norte da ArgentinaChuvas acima do normal
Nordeste do Brasil e América CentralSecas ou chuvas abaixo do normal
Ásia do Sul (Índia)Monções mais fracas
Austrália e IndonésiaRisco elevado de seca
Costa oeste da América do SulTemperaturas oceânicas muito acima da média

Mas sobre esse episódio ser excepcional, especialistas alertam que três fatores convergem para fazer do El Niño 2026/2027 um evento de intensidade histórica:

  • Aquecimento oceânico recorde: A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) elevou para 95% a probabilidade de que a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial supere 2 °C entre outubro e dezembro.
  • Uma onda de Kelvin quente de grande magnitude: Um pulso de água anormalmente quente, impulsionado para leste por ventos de oeste, está se propagando pelo Pacífico central, sinal clássico de que um evento de grande intensidade está em formação.
  • Pano de fundo do aquecimento global: O oceano já absorveu cerca de 90% do excesso de calor gerado pelas emissões de gases de efeito estufa. Esse calor pré-existente “alimenta” o El Niño, fazendo com que cada episódio seja mais intenso do que seria em um planeta mais frio.

O que esperar nos próximos meses?

O pico de intensidade é esperado para finais de 2026, com os efeitos climáticos persistindo ao menos até fevereiro de 2027. A OMM alerta ainda para a possibilidade de um Dipolo Positivo do Oceano Índico simultâneo, o que poderia intensificar secas e riscos de incêndios florestais ao redor da bacia do Índico.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, resumiu a preocupação: “O El Niño está adquirindo uma magnitude extraordinária. O planeta se encontra em águas desconhecidas, e essas águas estão se aquecendo.”

A OMM anunciou uma “importante mobilização” para difundir alertas precoces e coordenar a preparação de governos, organismos humanitários e setores vulneráveis. “Previsões, por si só, não evitam os perigos; as pessoas evitam”, reiterou Celeste Saulo.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais. Cubro política, economia e empreendedorismo com foco em clareza e contexto. Tenho afinidade com pautas de sustentabilidade e meio ambiente (ESG) e causa animal. Trabalho com planejamento editorial, monitoramento de tendências e análise de desempenho. Também atuo com jornalismo investigativo e de dados.

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