Uma área do Kentucky marcada durante décadas pela mineração de carvão acabou se tornando parte de um projeto de recuperação de uma espécie que havia desaparecido do estado.
Entre 1997 e 2002, 1.541 alces foram capturados em seis estados do oeste dos Estados Unidos e levados para o leste do Kentucky, onde passaram a ocupar florestas, campos abertos e terrenos de antigas minas de superfície.
Os animais vieram de Arizona, Kansas, Dakota do Norte, Novo México, Oregon e Utah. Antes de cada transferência, passavam por exames para reduzir o risco de introdução de doenças. A primeira soltura ocorreu em dezembro de 1997 e abriu um programa que se estenderia por cinco anos.
Minas abandonadas formaram o habitat
Os alces são nativos do Kentucky, mas desapareceram do estado no século 19 em consequência da caça sem controle e da perda de habitat.
Quando a possibilidade de reintrodução começou a ser analisada, técnicos encontraram no leste do estado uma combinação favorável de baixa densidade populacional humana, pouca agricultura comercial e grandes áreas disponíveis.
A zona criada para o programa cobre hoje 16 condados e mais de 4,1 milhões de acres. Cerca de 80% da área é formada por florestas decíduas, enquanto aproximadamente 10% corresponde a minas de superfície ativas ou recuperadas. O Departamento de Pesca e Vida Selvagem do Kentucky afirma que as áreas recuperadas de mineração estão entre os ambientes usados pela espécie no estado.
População passou dos 10 mil animais
O crescimento foi rápido. A Fundação Rocky Mountain Elk, que participou do financiamento da reintrodução, estimou em 2024 uma população próxima de 13 mil alces. Já o relatório mais recente do órgão estadual trabalha de forma mais conservadora e informa que o Kentucky possui mais de 10 mil animais.
A diferença ocorre porque populações de animais selvagens são estimadas por modelos, e não por uma contagem individual. Um estudo oficial baseado em reconstrução populacional calculou 10.661 alces em 2022, com intervalo de confiança amplo, e o Kentucky continua financiando pesquisas para melhorar as estimativas.
Em 2026, pesquisadores da Universidade do Kentucky concluíram uma nova etapa de estudos com câmeras e métodos de captura e recaptura espacial.
O resultado também permitiu ao estado fornecer animais para projetos de recuperação em outras partes dos Estados Unidos. Kentucky enviou alces para estados vizinhos depois que sua própria população se tornou sustentável, enquanto mantém caça regulamentada para controlar o tamanho e a distribuição da manada.
Quase três décadas após a primeira soltura, o Kentucky mantém a maior população de alces do leste do rio Mississippi, segundo o departamento estadual de vida selvagem.





