Situada em uma faixa de terra de sete quilômetros quadrados reivindicada tanto pela Sérvia quanto pela Croácia, a República Livre de Liberland organiza sua vida política em torno de uma criptomoeda própria, os Liberland Merits.
Quanto mais tokens da criptomoeda Liberland Merits uma pessoa possui, maior seu peso nas decisões do país.
Na prática, o voto tem peso proporcional ao capital investido: quanto mais uma pessoa investe, maior é o peso de sua decisão.
Micronação de 7 km² atrai mais de 800 mil pedidos de cidadania de pessoas interessadas em criptomoedas
Nas democracias tradicionais, o critério que rege as eleições é a igualdade: todo eleitor tem uma única cédula, não importa sua situação financeira.
Liberland rompe com essa base ao definir seus representantes por meio da quantidade de Merits que cada cidadão possui, de modo que o peso do voto passa a depender diretamente do quanto a pessoa acumulou em criptomoeda.
Liberland também se declara isenta de impostos, e Ivan Pernar, ministro do Interior, disse ao canal de tv BBC Two que pessoas que acreditam em liberdade e finanças descentralizadas tendem a pertencer à classe alta e que o país não deveria aceitar indiscriminadamente qualquer pessoa.
Pernar comparou os pobres a animais, sugerindo que fornecer benefícios os tornaria dependentes, e afirmou que é natural que o poder em Liberland seja exercido por quem tem dinheiro.
Na prática, o que existe hoje em Liberland é um terreno encharcado às margens do rio Danúbio, coberto de amieiros e ocupado por construções improvisadas.
A versão em realidade virtual, projetada pelo escritório de arquitetura Zaha Hadid, imagina torres reluzentes, parques públicos flutuantes, e estruturas aquáticas inovadoras que contrastam radicalmente com o terreno pantanoso onde se localiza hoje.
O projeto é encabeçado por Justin Sun, magnata chinês das criptomoedas com fortuna estimada em 8,5 bilhões de dólares e primeiro-ministro de Liberland.
Acusado de fraude e manipulação de mercado por órgãos reguladores americanos, Sun negou as acusações, e investiu mais de 75 milhões de dólares na World Liberty Financial, empresa de criptomoedas da família Trump.
O projeto também atrai investimentos de cerca de 30 outros bilionários do setor de criptomoedas.
O interesse reflete uma crença central entre esses investidores: a de que instituições governamentais convencionais podem ser substituídas por protocolos digitais e mecanismos de mercado baseados em blockchain.
Obstáculos políticos e contestação territorial
Apesar do interesse em cidadania, Liberland enfrenta obstáculos concretos, e as autoridades croatas bloquearam o acesso terrestre ao território, por isso quem chega precisa usar barcos pelo rio Danúbio.
A localização em uma zona de disputa entre dois países soberanos levanta questões legais sobre a viabilidade do projeto como Estado independente.





