Longe dos estádios, das câmeras e da fama que o acompanhava por onde passava, Pelé tinha um lugar onde era apenas mais um fazendeiro. A propriedade chamada “Sossego“, com cerca de 700 hectares cercados pela Mata Atlântica no Vale do Ribeira, em Juquiá, no interior de São Paulo.
Adquirida no final dos anos 1960, a fazenda nunca foi apresentada à imprensa. Pelé a visitava principalmente nas décadas de 1980 e 1990, quando o ritmo da carreira e a vida pública se intensificavam.
Lá, o jogador criava peixes, porcos e gado, cultivava banana e palmito e, ocasionalmente, jogava futebol em um campo society que mandou construir na sede principal. Atualmente, a fazenda, que funcionou como o refúgio do tricampeão mundial por mais de duas décadas, está à venda por R$ 35 milhões.
Diferentemente das residências urbanas associadas ao nome do jogador, a “Sossego” tem perfil agropecuário. A área de exploração, de cerca de 370 hectares, abriga pecuária de corte e de leite, piscicultura com nove tanques distribuídos pela propriedade e suinocultura.
O que tem lá?
A propriedade, atravessada pelo Rio Juquiá e situada a cerca de 130 km de Santos, 22 km de Registro e 165 km de São Paulo, próxima ao km 422 da rodovia Régis Bittencourt, se divide em quatro sedes com um total de 30 suítes. A infraestrutura completa inclui:
| Item | Detalhe |
| Casa principal (“Sede do Pelé”) | Casa rústica mobiliada, 6 suítes com ar-condicionado, sala, cozinha, varanda, piscina, salão de festas |
| Piscinas | 3 ao total, distribuídas entre as sedes |
| Capelas | 2 |
| Campo de futebol | Society, com vestiário |
| Salão de festas | Para eventos e jogos |
| Quadras | Esportes e bocha |
| Piscicultura | ~18 tanques |
| Leitaria | Completa, com ordenhas mecânicas |
| Suinocultura | Granja de porcos |
| Pecuária | Gado de corte e leite; curral para 500 cabeças |
| Plantio | Banana e palmito |
Dos 661 hectares, 370 são destinados à produção agropecuária. O restante é coberto por Mata Atlântica preservada, o que confere à propriedade um valor ambiental significativo.
Legado à família, venda ao mercado
Após a morte de Pelé, em dezembro de 2022, a propriedade ficou como legado para a família. Em 2023, os herdeiros colocaram a fazenda no mercado imobiliário pelo valor de R$ 35 milhões. Até o momento, nenhuma negociação foi concluída.
Entre os herdeiros, há divergências sobre o destino da área: parte defende a venda e a conversão em projeto de agronegócio, enquanto outra cogita a transformação em parque de conservação, dado o alto índice de Mata Atlântica preservada no entorno.
Os beneficiários somam 11 pessoas, incluindo a viúva Márcia Aoki e os filhos: Joshua, Celeste, Kely, Jennifer, Flávia, Gemima e Edinho. Dívidas de empréstimos e impostos ainda precisam ser descontadas do espólio antes da partilha definitiva.





