Depois de quase cem anos sem nenhum avistamento confirmado, o loris-lento-de-Bangka, o único primata do mundo capaz de produzir veneno, foi flagrado vivo em território indonésio. A União Internacional para a Conservação da Natureza chegou a classificar o animal como possivelmente extinto, mas novos registros mudaram esse cenário.
O reaparecimento traz esperança aos conservacionistas, mas também reforça a urgência da conservação.
Animal venenoso continua vivo
Ao longo de uma década, de 2015 a 2025, equipes do Centro de Resgate de Vida Selvagem Alobi retiraram do perigo mais de 90 exemplares do primata, espalhados por várias partes da ilha de Bangka, no sul da Indonésia.
Esse volume de resgates serviu como prova de que o animal ainda sobrevive em estado selvagem e passou a embasar a reavaliação de sua situação, hoje classificada como Criticamente Em Perigo. As descobertas levaram pesquisadores a solicitar a revisão urgente do status na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.
Os loris lentos vivem exclusivamente no sul e no sudeste da Ásia. Ativos à noite, permanecem entre galhos de árvores e cipós. Raramente descem ao solo das florestas, exceto para necessidades fisiológicas básicas, e usam a vida arborícola para evitar predadores terrestres.
Cada indivíduo possui uma pequena área sem pelos sob o braço que secreta um óleo especial. Quando se sentem ameaçados, lambem o óleo, que se combina com a saliva e forma um veneno capaz de matar pequenos artrópodes e mamíferos, protegendo-os contra ataques.
Dos animais levados ao centro de resgate, 86 se recuperaram completamente e voltaram à vida selvagem em sete áreas florestais protegidas da região. A maioria foi encontrada em assentamentos urbanos e margens de estradas ou removida de cativeiros ilegais, sinais da pressão humana sobre a espécie.
Queimaduras graves provocadas por choques elétricos em fiações e ataques de cães domésticos estão entre os principais motivos que levam esses primatas ao resgate. A convivência forçada com humanos expõe animais adaptados à vida nas árvores a riscos que causam ferimentos graves.
Ameaças e perspectivas de conservação
A mineração ilegal de estanho e o desmatamento para plantações de óleo de palma destruíram o habitat original do loris-lento-de-Bangka e empurraram os sobreviventes para perto de centros urbanos. Essa fragmentação do ecossistema reduz as chances de sobrevivência a longo prazo sem intervenção direta de conservação.
Ele acrescentou que a espécie continua muito próxima da extinção e exige apoio internacional para preservação. Pesquisadores defendem a remoção da classificação de “possivelmente extinto” da Lista Vermelha.
O pesquisador Timon Glaw avaliou que voltar a colocar o loris-lento-de-Bangka no foco da ciência representa somente o começo do trabalho. O desafio agora é estabelecer um plano de conservação permanente, focado em pesquisas populacionais, estudos genéticos e preservação rigorosa das florestas remanescentes.





