Carros e motos vão passar por uma bateria de ensaios a partir de janeiro de 2027 para medir se a gasolina brasileira suporta mais etanol do que suporta hoje.
Motores, peças e sistemas eletrônicos entram na mira dos técnicos, já que concentrações maiores de etanol podem desgastar componentes com o tempo, mesmo quando o veículo funciona normalmente no dia a dia. Até julho do ano que vem a expectativa é ter os resultados consolidados.
É nesse documento que ficarão definidos os procedimentos e a contratação dos laboratórios que vão tocar os ensaios.
Como serão feitos os testes e o que acontece com a mistura atual
Dezesseis veículos vão compor a frota usada nos ensaios, com carros que vão de modelos fabricados ainda em 1990 até os lançamentos mais recentes das montadoras. Motocicletas também entram na lista, junto com testes isolados em peças específicas dos motores.
O Instituto Mauá de Tecnologia ficará responsável pela parte mecânica da avaliação, olhando de perto como motores e componentes reagem ao novo percentual de etanol.
Carros movidos só a gasolina, sem a flexibilidade dos modelos flex, exigem atenção redobrada: foram projetados para rodar com proporções menores do combustível renovável, e aumentar essa mistura pode cobrar um preço em peças e sistemas ao longo do tempo. Mesmo quando o motor parece funcionar sem problema aparente logo de cara.
Essa prorrogação funciona como uma margem de segurança caso os ensaios técnicos demorem mais do que o previsto.
Depois de prontos, os relatórios vão parar na mesa do Conselho Nacional de Política Energética. Órgão que vai decidir se o Brasil pode mesmo passar a rodar com 35% de etanol na gasolina. A Lei do Combustível do Futuro já abre essa porta, desde que a segurança técnica seja atestada pelos ensaios.
Etanol também mira outros setores
Passar dos motores de carro, o governo enxerga espaço para colocar mais etanol em embarcações e em máquinas que hoje rodam a diesel. O combustível também desponta como matéria-prima na produção de combustíveis sustentáveis voltados à aviação.
A decisão sobre o novo percentual na gasolina deve sair só depois que o Conselho Nacional de Política Energética analisar os resultados dos testes marcados para começar em janeiro de 2027.





